O nome do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) aparece em uma lista apreendida pela Polícia Federal e atribuída ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. O documento, localizado durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2), menciona uma doação de R$ 3,2 milhões para a campanha de reeleição de Castro em 2022.
Segundo a PF, a relação detalha supostos pagamentos ilegais, doações eleitorais e anotações de lavagem de dinheiro envolvendo agentes políticos fluminenses. Embora citado, Cláudio Castro não foi alvo de mandados nesta etapa da investigação. Fontes ligadas ao caso afirmam que o material ainda está sob análise dos investigadores.
Operação mira lavagem de dinheiro e conexões políticas
Coordenada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a nova fase da Unha e Carne cumpre mandados de prisão e de busca contra suspeitos de integrar esquemas de lavagem de dinheiro oriundos do jogo do bicho e da chamada “Máfia do Cigarro”.
Entre os atingidos está o pastor e empresário Márcio Poncio, preso preventivamente em um flat na Barra da Tijuca. Além dele, foram expedidos mandados contra Adilsinho e o ex-deputado Rodrigo Bacellar, ambos já detidos em fases anteriores da operação. A decisão judicial também determinou o bloqueio de até R$ 22 milhões em bens e valores dos investigados.
As apurações decorrem de ordem do STF no âmbito da ADPF das Favelas, que exige a verificação de vínculos entre organizações criminosas e agentes públicos no Rio. Fases anteriores investigaram vazamentos de informações ao Comando Vermelho, irregularidades na Fundação Ceperj e fraudes na Secretaria Estadual de Educação.
Defesa do ex-governador nega irregularidades
Em nota, os advogados de Cláudio Castro classificaram como “mentirosa” qualquer ilação de que ele tenha recebido recursos de Adilsinho. A defesa sustenta que a simples menção ao nome do ex-governador não comprova recebimento de valores, prática ilícita ou irregularidade eleitoral, e lembra que as contas da campanha de 2022 foram apresentadas à Justiça Eleitoral.
Cláudio Castro governou o estado entre 2021 e 2026 e renunciou um dia antes do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que poderia confirmar sua cassação e torná-lo inelegível.
A assessoria do ex-chefe do Executivo fluminense informou que ele permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Com informações de G1

