A Apple está treinando um modelo de linguagem próprio para o mercado chinês em parceria com a Alibaba, informaram três fontes à agência Reuters. A iniciativa marca uma mudança de rota da companhia, que até então dependia de provedores locais para levar recursos de inteligência artificial (IA) aos seus dispositivos no país.
A colaboração com a Alibaba foi oficializada em fevereiro de 2025, quando o presidente do grupo chinês, Joe Tsai, revelou que a Apple avaliou várias empresas antes de fechar o acordo. “Eles conversaram com várias empresas na China. No fim, escolheram fazer negócios conosco”, disse Tsai na ocasião.
Adaptação às regras chinesas
Modelos de IA de empresas norte-americanas, como ChatGPT (OpenAI) e Claude (Anthropic), não operam na China. Para lançar o Apple Intelligence, a Apple precisa cumprir requisitos regulatórios estabelecidos pela Administração do Ciberespaço do país, que concluiu o registro do serviço no mês passado.
Na versão chinesa, o Apple Intelligence combinará:
- o novo modelo proprietário da Apple voltado ao mercado local;
- o Qwen, modelo de linguagem da Alibaba, integrado à plataforma;
- tecnologia da Baidu, também prevista para compor o serviço.
Embora a Apple mantenha o desenvolvimento interno, ainda não está claro como o modelo próprio vai interagir com as soluções da Alibaba e da Baidu.
Pressão da concorrência
A China é um dos principais mercados da Apple, mas a empresa perdeu participação para fabricantes locais, que oferecem smartphones equipados com assistentes de IA. A ausência desses recursos nos iPhones vendidos no país foi apontada como um dos fatores que influenciaram a queda nas vendas.
A expectativa é que o Apple Intelligence chegue aos aparelhos chineses nos próximos meses, após uma atualização do iOS. A combinação de tecnologia proprietária com modelos locais deve ajudar a Apple a atender às exigências de Pequim sem abrir mão do controle sobre a experiência dos usuários.
Com informações de Olhar Digital

