Os contratos futuros de café arábica na ICE recuaram para a faixa de 270 a 280 centavos de dólar por libra-peso nos últimos dias. A queda é atribuída ao volume inédito de café brasileiro exportado em agosto e à melhora do clima nas regiões produtoras do país.
Pressão de curto prazo nos preços
Segundo a Hedgepoint Global Markets, o fortalecimento dos embarques e as chuvas generalizadas no Brasil reduziram as preocupações imediatas de abastecimento. A analista de mercado Laleska Moda avalia que o contrato para dezembro pode se aproximar de 270 centavos se o ritmo de exportações se mantiver e o número de lotes pendentes de certificação na ICE aumentar.
Apesar da retração, os estoques certificados continuam nos menores níveis em décadas, o que limita quedas mais acentuadas. O El Niño e seus possíveis reflexos sobre Brasil, Vietnã e Indonésia seguem como fatores de risco.
Brasil embarca 4,16 milhões de sacas em agosto
Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) indicam que o país enviou ao exterior 4,16 milhões de sacas de café verde e industrializado no mês passado, alta de 31% sobre agosto de 2025 e recorde histórico para o período.
Apenas o café verde respondeu por 3,8 milhões de sacas, avanço anual de 31,1% e de 42,7% na comparação com julho. O arábica somou 2,8 milhões de sacas, mais 25,7% em doze meses, enquanto o conilon alcançou 953,5 mil sacas, maior marca já registrada para a variedade.
EUA e Bélgica lideram compras
Estados Unidos e Bélgica adquiriram cada um pouco mais de meio milhão de sacas em agosto. Parte desse café pode ser destinada a estoques certificados da ICE: 31,16 mil sacas brasileiras já aguardam classificação em um armazém de Antuérpia, e o volume tende a crescer nas próximas semanas.
Chuva impulsiona perspectivas para 2027/28
Com a colheita 2026/27 praticamente finalizada, as atenções se voltam para a próxima safra. Desde o fim de agosto, chuvas acima da média em quase todas as regiões cafeeiras favoreceram as primeiras floradas. A Hedgepoint ressalta, porém, que precipitações excessivas também precisam de monitoramento.
A consultoria destaca que a combinação de área plantada maior e condições climáticas positivas até agora pode compensar parte do efeito de ano de baixa bienalidade do arábica.
Robusta: Vietnã tem melhor agosto em sete anos
O Vietnã exportou 2,1 milhões de sacas de robusta em agosto, maior resultado para o mês desde 2019. No acumulado da safra 2025/26 (outubro a agosto), os embarques somam 27,7 milhões de sacas, 19,6% acima do ciclo anterior.
Mesmo com o ritmo acelerado, os estoques vietnamitas estão muito baixos, e a disponibilidade só deve melhorar após novembro, quando volumes mais significativos da safra 2026/27 chegam ao mercado.
El Niño amplia incertezas na Ásia
A Hedgepoint mantém a projeção de 30,5 milhões de sacas para a produção vietnamita em 2026/27, mas alerta que o El Niño pode alongar a estação seca, comprometendo produtividade no ciclo 2027/28. A Indonésia enfrenta risco semelhante em suas lavouras de robusta.
Oferta melhora, mas equilíbrio depende do clima
O incremento das exportações brasileiras, as chuvas no Brasil e o bom desempenho do Vietnã elevam a oferta global no curto prazo, pressionando os preços do arábica. Contudo, estoques historicamente baixos e a possibilidade de impactos climáticos severos ainda sustentam um cenário de cautela para os próximos meses.
Com informações de Portal do Agronegócio

