Os preços do café registraram queda entre os dias 17 e 24 de setembro diante da projeção de oferta ampliada no Brasil. Em Nova York, o contrato de arábica para dezembro de 2026 recuou 0,4%, passando de 276,50 para 275,35 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o robusta para novembro encolheu 3% no mesmo intervalo.
No mercado interno, o ritmo de negociações permaneceu moderado. No Sul de Minas, a saca de arábica bebida boa da safra nova caiu de R$ 1.580 para R$ 1.570, baixa de 0,6%. Em Vitória (ES), o conilon tipo 7 passou de R$ 960 para R$ 950 por saca, redução próxima de 1%.
Safra estimada em 67,6 milhões de sacas
A pressão sobre as cotações ganhou força após o terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em 24 de setembro. Com 99% da área colhida, a produção de café em 2026 foi estimada em 67,6 milhões de sacas, volume 19,6% superior ao de 2025 e o maior da série histórica da companhia.
Do total projetado, 48,2 milhões de sacas correspondem ao arábica, alta anual de 34,8%. Para o conilon, a Conab prevê 19,4 milhões de sacas, queda de 6,6%, impactada pela menor produtividade, especialmente no Espírito Santo.
Exportações e fatores climáticos
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), compilados pela Conab, mostram embarques de 3,8 milhões de sacas em agosto, aumento de 43,2% sobre o mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, porém, as exportações ficaram 6,6% abaixo do registrado em igual período do ano anterior.
As chuvas de setembro favoreceram as floradas para a safra de 2027, mas a continuidade da umidade nos próximos meses ainda depende dos desdobramentos do El Niño. A aproximação da colheita no Vietnã, importante fornecedor de robusta, também amplia as expectativas de oferta global. Mesmo assim, estoques reduzidos e o crescimento projetado do consumo mundial evitam quedas maiores nos preços internacionais, conforme a avaliação da Conab.
No Brasil, a valorização de 1,1% do dólar frente ao real entre 17 e 24 de setembro ofereceu certo suporte às referências internas. Produtores continuaram dosando as vendas diante da volatilidade nas bolsas, enquanto compradores optaram por negociar apenas pontualmente.
Com informações de Portal do Agronegócio

