O mercado brasileiro de trigo fechou a semana de 25 de setembro com cotações mais firmes para lotes de melhor qualidade no Sul do país. Chuvas frequentes preocupam produtores e moinhos, enquanto a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) elevou sua projeção de importações para a temporada em razão das perdas climáticas na produção nacional.
Paraná registra procura maior por grãos aptos à moagem
No Paraná, a colheita ampliou a oferta, mas a qualidade do cereal passou a definir os preços. Relatos de peso hectolítrico (PH) abaixo do ideal, menor força de glúten (W) e incidência de grãos germinados fizeram os moinhos concentrarem as compras em lotes considerados tipo 1.
Nas principais regiões paranaenses, as indicações de compra ficaram entre R$ 1.500 e R$ 1.530 por tonelada ao fim da semana, com liquidez moderada. Produtores que detêm trigo de melhor padrão pediam de R$ 1.580 a R$ 1.600 por tonelada FOB, mas não houve confirmação de negócios nesses valores. A previsão de novas chuvas levou agricultores a acelerar a retirada de lotes ainda preservados.
Negociações pontuais e valores dispersos no Rio Grande do Sul
No mercado gaúcho, as transações permaneceram espaçadas. No início da semana, vendedores pediam cerca de R$ 1.500 por tonelada FOB para o trigo disponível, enquanto moinhos relataram compras próximas de R$ 1.450. Já na sexta-feira, as indicações variaram conforme a praça:
- Porto Alegre: compradores a R$ 1.580 por tonelada, ante pedidos de R$ 1.630;
- Carazinho: referências entre R$ 1.500 e R$ 1.600;
- Santa Rosa: de R$ 1.400 a R$ 1.450;
- Porto do Rio Grande: compra indicada a R$ 1.695 e venda a R$ 1.745 por tonelada.
Segundo o analista Thiago Oleto, da Safras & Mercado, fatores como qualidade, logística e destino do produto explicam a diferença de preços. A resistência dos vendedores em reduzir valores e o risco de chuvas sobre lavouras em estágio avançado mantêm o mercado sustentado, embora as cotações físicas sigam sem variações generalizadas.
Importações devem crescer
Diante das perdas climáticas, a Abitrigo informou ter elevado sua estimativa de compras externas de trigo para a atual temporada, mas não divulgou novo volume projetado. A entidade já vinha alertando para a necessidade de complementar a oferta doméstica caso as adversidades climáticas se confirmassem.
Com a qualidade do cereal influenciando diretamente os preços e a safra ainda exposta às condições do tempo, agentes do setor acompanham de perto o avanço da colheita no Sul e os reflexos sobre o abastecimento interno.
Com informações de Portal do Agronegócio

