São Paulo, 4 de setembro de 2026 – As cotações do açúcar bruto subiram cerca de 21% em agosto na Bolsa de Nova York, impulsionadas por temores climáticos relacionados ao El Niño e pela possibilidade de escassez global na temporada 2026/27.
Maior preço desde abril de 2025
O contrato com vencimento em outubro, negociado na ICE Futures US, encerrou 31 de agosto a 17,81 centavos de dólar por libra-peso. No fim de julho, a mesma posição valia 14,66 centavos. Durante o pregão de 28 de agosto, a máxima intradiária alcançou 18,66 centavos, maior nível desde abril de 2025.
Fenômeno climático pressiona oferta
A valorização reflete a incerteza causada pelo El Niño, previsto para permanecer ativo de junho de 2026 a maio de 2027. O fenômeno pode provocar excesso de chuvas em algumas regiões produtoras de cana-de-açúcar e estiagens em outras, afetando produtividade, qualidade da matéria-prima, colheita e transporte.
Déficit estimado para 2026/27
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas na safra 2026/27, invertendo o superávit de 1,1 milhão de toneladas previsto para 2025/26. Em maio, a entidade estimava excedente de 2,2 milhões para o ciclo atual, mas revisou o número pela metade diante de oferta mais restrita.
Queda fora do Brasil
Produções menores são esperadas na União Europeia, Tailândia e América Central, o que deve reduzir em aproximadamente 4,4 milhões de toneladas a oferta fora do Brasil em 2026/27. A diminuição aumenta a dependência do mercado internacional do açúcar brasileiro, maior produtor e exportador mundial.
Possível retorno da Índia às compras
A Índia, segunda maior produtora e maior consumidora global, pode voltar a importar açúcar pela primeira vez desde 2013/14 para equilibrar o abastecimento doméstico. A entrada do país como comprador reduziria o volume disponível para exportação e adicionaria nova pressão de demanda.
Volatilidade à frente
Com previsão de déficit, menor produção fora do Brasil e influência prolongada do El Niño, analistas apontam maior sensibilidade dos preços a variações climáticas e a decisões sobre importações indianas nos próximos meses.
Com informações de Portal do Agronegócio

