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Oferta limitada e preços divergentes marcam mercado brasileiro de trigo em agosto

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O mercado de trigo no Brasil encerrou agosto em fase de transição entre a safra remanescente e a nova produção, registrando pouca disponibilidade de lotes de melhor qualidade e movimentação desigual de preços entre os principais estados produtores.

Liquidez reduzida e moinhos cautelosos

De acordo com o analista Elcio Bento, da Safras & Mercado, a liquidez permaneceu baixa durante o mês. A menor demanda por farinha e a dificuldade dos moinhos em repassar custos levaram a uma postura mais conservadora nas compras.

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Paraná sente pressão da colheita

No Paraná, a proximidade do início da colheita limitou a alta das cotações. O preço médio estadual fechou agosto em R$ 1.480 por tonelada. Levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) aponta que 93 % das lavouras estavam em condições ótimas, reforçando a expectativa de maior oferta em setembro.

Entre as principais praças paranaenses, Maringá registrou o recuo mais intenso, de 5,33 %, para R$ 1.520/t. Em Curitiba (CIF), a queda foi de 3,31 %, com a tonelada a R$ 1.560. Cascavel e Ponta Grossa apresentaram retração de 3,45 %, negociando a R$ 1.500/t.

Rio Grande do Sul monitora sanidade das lavouras

No Rio Grande do Sul, o preço médio ficou em R$ 1.340/t. A Emater informa que 28 % das áreas estavam em floração e 10 % em enchimento de grãos. Umidade elevada e baixa luminosidade favoreceram oídio e manchas foliares, exigindo atenção ao manejo fitossanitário.

Mesmo com esses riscos, algumas cotações subiram: em Porto Alegre (CIF), alta de 2,88 %, para R$ 1.510/t; em Santa Rosa, avanço de 3,08 %, para R$ 1.420/t.

Santa Catarina em alta; São Paulo recua

Campos Novos, em Santa Catarina, apresentou a maior valorização mensal entre as praças analisadas, com aumento de 3,70 %, encerrando agosto em R$ 1.480/t.

Em São Paulo (CIF), a tonelada caiu 4,89 % no mês, para R$ 1.600, embora ainda acumule ganho de 9,16 % em 12 meses.

Cenário externo oferece suporte

Na Bolsa de Chicago, o contrato de dezembro / 2026 subiu 17,71 % em agosto, impulsionado por incertezas logísticas no Mar Negro. Exportadores russos redirecionaram carregamentos para portos bálticos, encarecendo fretes e seguros e sustentando as cotações internacionais.

Paridade argentina limita importações

O trigo argentino com 11 % de proteína manteve-se ao redor de US$ 250/t (FOB). Em São Paulo, a paridade de importação do trigo argentino Hard ficou em R$ 1.655/t, valor próximo ao mercado físico doméstico. As referências para o produto uruguaio e russo foram de R$ 1.573/t e R$ 1.555/t, respectivamente, mantendo o cereal argentino como principal balizador de preços no Sudeste.

Perspectivas para setembro

A evolução da colheita no Sul, a qualidade da nova produção e o ritmo das vendas de farinha deverão definir o comportamento de preços em setembro. Enquanto a entrada de oferta nacional tende a exercer pressão em algumas regiões, os custos de reposição do trigo importado e as incertezas no Mar Negro continuam atuando como fatores de sustentação.

Com informações de Portal do Agronegócio

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