Estoques mais curtos nos Estados Unidos, quebra produtiva na Europa, custos elevados no Brasil e a possibilidade de retorno do fenômeno El Niño formam um conjunto de fatores que tende a apertar a oferta global de milho na temporada 2026/27 e a elevar a volatilidade dos preços.
Estoques dos EUA caem para 1,653 bilhão de bushels
No principal produtor mundial, a projeção de estoque final para o próximo ciclo recuou e passou a ser estimada em 1,653 bilhão de bushels. O consumo, ao contrário, subiu para 16,33 bilhões de bushels, reduzindo a relação estoque/uso para perto de 10 %. A conta considera rendimento médio de 180,7 bushels por acre, já revisado para baixo na primeira avaliação de campo. Novos cortes de produtividade podem enxugar ainda mais a disponibilidade e sustentar prêmios de risco nas cotações.
Calor e seca diminuem produção europeia
Altas temperaturas e déficit hídrico afetam lavouras de milho na Europa. A associação COCERAL projeta colheita de 52,7 milhões de toneladas para União Europeia e Reino Unido, ante 57,4 milhões de toneladas no ciclo anterior – queda de 4,7 milhões de toneladas (8,2 %). Com menor oferta interna, a região tende a aumentar as importações, ampliando a dependência de grandes exportadores.
Brasil mantém produção, mas ganha protagonismo nas exportações
A safra brasileira está estimada em 139 milhões de toneladas, volume semelhante ao do ano anterior. Mesmo sem expansão expressiva, o país deve ganhar espaço no comércio internacional diante das limitações observadas em EUA e Europa. O potencial de venda externa, porém, dependerá do desempenho das lavouras nacionais, do consumo interno – impulsionado pelas usinas de etanol – e da rentabilidade nos portos.
Custos no campo seguem elevados
Fertilizantes, sementes, defensivos, máquinas, mão de obra e logística continuam pesando no orçamento do produtor brasileiro. Em um ambiente de margens apertadas, a eventual valorização do cereal pode ser decisiva para garantir resultados positivos.
El Niño ameaça janela do milho segunda safra
A possível volta do El Niño pode atrasar o plantio de soja e empurrar a semeadura do milho segunda safra para fora do período ideal. Plantios tardios ficam mais expostos a redução de chuvas, temperaturas extremas e geadas, elevando o risco produtivo justamente na fase que concentra a maior parte da colheita e das exportações brasileiras.
Prêmio climático sustenta preços
Com estoques mundiais menores, o mercado passa a reagir mais rapidamente às informações meteorológicas. Qualquer nova perda nos EUA ou na Europa tende a provocar movimentos adicionais de alta, enquanto no Brasil as cotações também refletem câmbio, prêmios nos portos, demanda de ração e etanol e ritmo das vendas externas.
Planejamento comercial ganha peso
Diante de um cenário mais volátil, estratégias de venda escalonada e instrumentos de proteção são vistos como alternativas para reduzir riscos e preservar margens na temporada 2026/27.
Com informações de Portal do Agronegócio

