O mercado brasileiro de boi gordo encerrou a semana de 21 de agosto com preços praticamente inalterados, negociando a arroba entre R$ 330 e R$ 355 nas principais regiões pecuárias. Apesar da estabilidade, frigoríficos e pecuaristas demonstram preocupação diante da desaceleração das exportações e do consumo doméstico mais fraco na segunda quinzena do mês.
Preços por estado
Nas negociações a prazo registradas em 20 de agosto, os valores permaneceram nos mesmos patamares do fechamento anterior:
São Paulo: R$ 355 por arroba
Goiás e Minas Gerais: R$ 335
Mato Grosso do Sul: R$ 340
Mato Grosso: R$ 330
Rondônia: R$ 338
Escalas de abate confortáveis
Segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, grandes frigoríficos operam com escalas de abate alongadas, o que reduz a urgência por novos lotes e limita reajustes na arroba. Já plantas menores ainda mantêm programações curtas, mas sem provocar movimentos generalizados nos preços.
Atacado mostra recuo nos cortes dianteiros
No mercado atacadista, o quarto dianteiro caiu 2,33% na semana, passando de R$ 21,50 para R$ 21,00 por quilo. O quarto traseiro permaneceu estável a R$ 27,00 o quilo. A menor disponibilidade de renda das famílias na segunda metade do mês e a competitividade da carne de frango pressionam a demanda por carne bovina.
Exportações desaceleram em agosto
Nos dez primeiros dias úteis de agosto, o Brasil embarcou 94,419 mil toneladas de carne bovina in natura, volume 26,1% inferior ao registrado em igual período de 2025. A receita somou US$ 579,688 milhões, com média diária de US$ 57,968 milhões, queda de 19,1% na comparação anual.
Mesmo com o recuo nos embarques, o preço médio da tonelada exportada subiu 9,6%, alcançando US$ 6.139,50. A alta, porém, não compensou totalmente a perda de volume e de faturamento.
Menor demanda chinesa pesa sobre o setor
A redução das compras chinesas no terceiro trimestre é apontada como principal fator para a retração das exportações. A dependência do mercado asiático reforça a necessidade de diversificação de destinos para mitigar os impactos sobre frigoríficos e pecuaristas.
Com escalas de abate ajustadas, consumo interno contido e embarques mais fracos, a perspectiva de curto prazo indica manutenção dos preços regionais, enquanto o setor monitora a evolução da demanda externa e a disponibilidade de animais prontos para abate.
Com informações de Portal do Agronegócio

