Um rato-de-orelhas-folha-andino (Phyllotis vaccarum) encontrado a 6.739 metros de altitude no vulcão Llullaillaco, na fronteira entre Argentina e Chile, tornou-se o mamífero registrado na maior elevação já documentada pela ciência.
Os dados constam de estudo publicado em 9 de julho de 2026 na revista Science. A equipe, liderada por pesquisadores da Universidade McMaster, no Canadá, analisou como o pequeno roedor sobrevive em um ambiente com ar rarefeito, temperaturas negativas e quase nenhuma fonte de alimento.
Adaptações genéticas e metabólicas
Foram examinados 167 indivíduos que vivem desde regiões próximas ao nível do mar até altitudes extremas. O sequenciamento genômico mostrou que, nas grandes alturas, o animal apresenta quantidade significativamente maior de mitocôndrias nos músculos, o que aumenta a produção de calor e garante energia mesmo sob frio intenso.
Diferentemente de outros mamíferos adaptados a montanhas, o diferencial não está principalmente no transporte de oxigênio pelo sangue, mas na eficiência para utilizá-lo nas células, destacaram os autores.
Dieta em ambiente hostil
Acima de 6.000 metros praticamente não existe vegetação. Ainda assim, o rato consegue sobreviver alimentando-se de líquens e, possivelmente, de sementes e insetos levados pelo vento. As análises identificaram genes que ajudam a neutralizar toxinas de plantas, ampliando as opções de alimento em cenário de escassez extrema.
Recorde supera o Himalaia
Até a descoberta nos Andes, o maior registro de altitude para um mamífero pertencia à pika-de-orelhas-grandes (Ochotona macrotis), habitante do Himalaia. O novo achado eleva esse limite em centenas de metros e sugere que a capacidade de adaptação de pequenos mamíferos a condições extremas é maior do que se imaginava.
Segundo os pesquisadores, compreender esses mecanismos pode ajudar a prever como outras espécies responderão a mudanças simultâneas de temperatura, oxigênio, água e alimento impostas pelas alterações climáticas.
Com informações de Exame

