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ICAP indica lucro superior a R$ 1 mil por animal e mantém rentabilidade do confinamento mesmo com arroba mais barata

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O confinamento bovino brasileiro sustentou margem positiva em junho de 2026, apesar da desvalorização da arroba do boi gordo. Segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), o lucro médio permaneceu acima de R$ 1 mil por cabeça nas principais regiões produtoras, respaldado por redução de custos de alimentação e maior eficiência produtiva.

Sudeste registra menor custo alimentar do ano

No Sudeste, o ICAP caiu 2,23% frente a maio, atingindo R$ 11,79 por cabeça/dia — o menor patamar de 2026. A região completou quatro meses consecutivos com o menor custo diário, ampliando a diferença para o Centro-Oeste de R$ 0,77 para R$ 1,12 por cabeça/dia.

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Centro-Oeste lidera rentabilidade

Mesmo com custo alimentar mais alto, o Centro-Oeste retomou a liderança em lucratividade. Animais abatidos após média de 99 dias no cocho entregaram 7,68 arrobas cada, o que reduziu em 9,93% o custo da arroba produzida, agora em R$ 186,36.

Resultados de junho:

Centro-Oeste
ICAP: R$ 12,91/cab./dia
Custo da arroba produzida: R$ 186,36 (-9,93%)
Arroba do boi gordo: R$ 323,50 (-5,69%)
Lucro estimado: R$ 1.053,25 por cabeça (+1,56%)

Sudeste
ICAP: R$ 11,79/cab./dia
Custo da arroba produzida: R$ 199,29 (+2,13%)
Arroba do boi gordo: R$ 331,50 (-3,35%)
Lucro estimado: R$ 1.007,41 por cabeça (-10,36%)

No mercado do boi “China”, o Centro-Oeste também se destacou, alcançando lucro de R$ 1.118,53 por cabeça, ante R$ 1.072,18 no Sudeste.

Safrinha reduz insumos no Centro-Oeste

A colheita da segunda safra de milho derrubou em 4,16% o custo da dieta de terminação na região, na comparação com a média de abril a junho. Entre os principais movimentos estiveram quedas de 37,13% nos volumosos, 8,25% nos energéticos e alta de 0,50% nos proteicos. Itens como casca de algodão (-51,7%) e silagem de milho (-16,8%) puxaram o recuo, enquanto o DDG encareceu 46,2%.

Sudeste mantém competitividade na dieta

A dieta no Sudeste fechou o mês 1,08% abaixo da média trimestral. A queda de 2,83% nos insumos proteicos, impulsionada pelo caroço de algodão (-19,8%), compensou parte do aumento nos volumosos (+15,80%), influenciado por silagens mais caras.

Gestão de custos ganha peso no resultado

Dados do ICAP indicam mudança estrutural no confinamento: a rentabilidade tornou-se menos dependente da cotação da arroba e mais vinculada ao controle de custos alimentares e à conversão de dieta em peso. Em junho de 2026, uma arroba de boi gordo passou a pagar 25,06 dias de alimentação no Centro-Oeste e 28,12 dias no Sudeste, frente a 14,47 e 18,89 dias, respectivamente, em junho de 2024. Hoje, a alimentação representa cerca de 51% da receita de cada arroba, liberando espaço para outros custos e ampliação da margem.

O ICAP é calculado a partir de milhões de registros de consumo coletados por tecnologias de gestão que monitoram aproximadamente 62% dos bovinos confinados do país. O indicador tornou-se ferramenta estratégica para compra de insumos, formulação de dietas e projeção de rentabilidade em um mercado cada vez mais volátil.

Com informações de Portal do Agronegócio

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