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Inflação dos EUA recua 0,4% e reduz pressão sobre juros, mas Brasil não deve atrair mais capital, diz Thiago Salomão

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O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos caiu 0,4% em junho, informou o Departamento do Trabalho nesta terça-feira, 14 de julho de 2026. Trata-se da maior queda desde abril de 2020 e supera a projeção do mercado, que estimava retração de 0,1%, após a alta de 0,5% registrada em maio.

Para o fundador da casa de análise Market Makers, Thiago Salomão, a surpresa positiva diminui a necessidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed). “Foi um indicador importante para quem não queria ver o banco central americano apertar ainda mais a política monetária”, afirmou no programa Giro do Mercado.

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O especialista lembra que, em ciclos de elevação de juros, os títulos norte-americanos se tornam mais atrativos e funcionam como “um aspirador de pó”, sugando recursos globais para os Estados Unidos. Com a desaceleração da inflação, parte desse capital tende a migrar novamente para ativos de maior risco, mas Salomão avalia que o Brasil não deverá ser o principal destino.

“Quando a pressão sobre os juros diminui, investidores buscam alternativas mais arriscadas. Isso não significa, porém, que o dinheiro venha diretamente para o mercado brasileiro”, disse. Segundo ele, outros emergentes ou até mesmo ativos americanos considerados mais arriscados podem receber a maior parte desses recursos.

Resultados de bancos americanos e cenário geopolítico

Salomão também destacou o bom desempenho dos grandes bancos dos EUA na temporada de balanços. De acordo com o analista, os lucros foram alavancados pelas mesas de negociação, que se beneficiaram da volatilidade provocada por tensões geopolíticas, e pela retomada das ofertas públicas iniciais (IPOs) no mercado norte-americano.

“Os Estados Unidos mostram a força de uma economia pujante: mesmo com juros elevados, os bancos conseguem aumentar o lucro”, observou. Na visão do especialista, esse cenário contribui para que o Brasil perca espaço no radar dos investidores estrangeiros.

No front político, Salomão apontou como relevante o anúncio prometido pelo presidente Donald Trump para quinta-feira, 17 de julho. Uma eventual formalização de acordo entre Washington e Teerã poderia, segundo ele, reduzir parte das incertezas relacionadas ao preço do petróleo, à inflação global e às tensões geopolíticas. Ainda assim, reiterou, o movimento não garante maior entrada de capital no mercado brasileiro.

Com informações de Money Times

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