O fluxo cambial brasileiro voltou ao terreno positivo nas últimas semanas, sustentado pela maior chegada de divisas das exportações e pelo bom desempenho do agronegócio. A avaliação consta de relatório do Rabobank, divulgado nesta terça-feira (14/07/2026), que, apesar do avanço, mantém perspectiva de forte oscilação do dólar no segundo semestre.
Exportações fortalecem o real
Segundo o banco, a entrada de recursos é impulsionada por vendas externas de soja, milho, café, carnes, açúcar, celulose, minério de ferro e algodão. O fluxo comercial favorável ajuda a atenuar pressões no mercado e melhora as condições das empresas exportadoras.
Agronegócio segue determinante
Responsável por parcela significativa das divisas, o setor agropecuário contribui para fortalecer as reservas internacionais, ampliar a oferta de dólares e sustentar a confiança de investidores. A participação do segmento explica, em parte, a resiliência do real frente a outros emergentes.
Volatilidade persiste no fluxo financeiro
Enquanto o comércio exterior mostra estabilidade, o fluxo financeiro registra oscilações ligadas a investimentos estrangeiros, remessas de lucros e mudanças no apetite global por risco. Esse movimento continuará dependente da política monetária internacional e da percepção sobre economias emergentes, afirma o Rabobank.
Fatores externos no radar
O comportamento do dólar segue atrelado a variáveis como o conflito entre Estados Unidos e Irã, preços do petróleo, inflação norte-americana, decisões do Federal Reserve e ritmo da economia chinesa. Qualquer deterioração nesses indicadores tende a fortalecer a moeda norte-americana e pressionar o câmbio brasileiro.
Quadro fiscal brasileiro preocupa
No front doméstico, incertezas sobre despesas públicas, cumprimento de metas e ambiente político continuam a influenciar as expectativas. Analistas destacam que a disciplina fiscal será decisiva para preservar a estabilidade cambial e atrair capital estrangeiro.
Real entre os destaques emergentes
Apesar dos solavancos recentes, o real figura entre as moedas que mais se valorizaram no período analisado, favorecido pelo alto diferencial de juros, por exportações robustas e pela recuperação dos preços das commodities. O desempenho, contudo, pode perder força caso o ambiente externo se deteriore.
Efeito cambial no campo
Produtores rurais monitoram de perto o câmbio, já que a cotação do dólar impacta preços de commodities, fertilizantes, defensivos, combustíveis, máquinas e fretes. Ao mesmo tempo, um dólar mais alto aumenta a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.
Gestão de risco ganha espaço
Especialistas indicam ferramentas como hedge cambial, contratos futuros, travamento de preços e planejamento antecipado de compras para mitigar efeitos de oscilações abruptas. A recomendação vale para agricultores, cooperativas e exportadores.
Perspectivas para o segundo semestre
O Rabobank projeta manutenção do fluxo cambial positivo, amparado sobretudo pelo agronegócio. Ainda assim, o rumo do dólar dependerá da economia global, de decisões dos principais bancos centrais e do ajuste das contas públicas no Brasil.
Com informações de Portal do Agronegócio

