Uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos apresentou o StormWall, conceito que prevê a criação de um escudo artificial no espaço para reduzir os efeitos de tempestades solares capazes de gerar blecautes em larga escala e danificar sistemas de comunicação.
Como funcionaria o StormWall
O plano contempla o lançamento de seis satélites em órbita geossíncrona, a cerca de 36 mil quilômetros da Terra. Diante da detecção de uma ejeção de massa coronal excepcionalmente forte, esses satélites liberariam centenas de toneladas de bário, lítio ou sódio. A radiação solar ionizaria rapidamente o material, formando uma nuvem de plasma que atuaria como barreira temporária por aproximadamente seis horas, diminuindo a transferência de energia das partículas solares para a magnetosfera terrestre.
Por que a proteção é necessária
A magnetosfera natural do planeta desvia, em condições normais, a maior parte das partículas carregadas do vento solar. Entretanto, durante tempestades solares muito intensas, essa defesa pode ser sobrecarregada, permitindo a entrada de partículas altamente energéticas que provocam tempestades geomagnéticas. Esses eventos representam risco para satélites, redes elétricas e sistemas de navegação.
Exemplos de impactos já registrados
Em 1989, uma tempestade solar deixou a província canadense de Quebec sem energia por cerca de nove horas. Já em 2024, outro episódio intenso interferiu em sistemas de navegação utilizados por agricultores nos Estados Unidos e levou operadores da rede elétrica da Nova Zelândia a adotar medidas preventivas.
Desafios para colocar o plano em prática
O principal obstáculo é transportar cerca de 380 toneladas de material ionizável para a órbita geossíncrona, capacidade que os veículos lançadores atuais ainda não possuem. Os autores do estudo citam futuros foguetes de grande porte, como a Starship, da SpaceX, e o Longa Marcha 9, em desenvolvimento na China, como possíveis soluções.
Além do transporte, será necessário aprimorar os sistemas de previsão de clima espacial para que o StormWall seja acionado com antecedência suficiente.
Custo e frequência de uso
Os cientistas estimam que o sistema seria ativado somente em tempestades solares consideradas excepcionais, que ocorrem em média uma vez a cada século. O investimento, calculado em até US$ 100 bilhões, poderia ser inferior aos prejuízos econômicos gerados por um evento extremo em uma sociedade cada vez mais dependente de eletrônicos e satélites.
Os resultados do estudo foram publicados na revista AGU Earth and Space Science e detalhados pelo The Wall Street Journal.
Com informações de EXAME

