14/07/2026 – O novo ciclo de confrontos militares entre Estados Unidos e Irã devolveu o Oriente Médio ao foco dos mercados internacionais. O aumento do risco geopolítico provocou alta no preço do petróleo, fortalecimento do dólar e maior incerteza sobre inflação, juros e crescimento econômico, segundo análise do Rabobank.
Petróleo reage à ameaça no Estreito de Ormuz
Responsável por cerca de 20% do comércio global de petróleo, o Estreito de Ormuz volta a preocupar investidores diante da possibilidade de interrupções no fluxo de energia. O barril do Brent subiu mais de 5% na última semana, retomando pressões inflacionárias em diversas economias.
Impactos diretos para o agronegócio brasileiro
Mesmo sendo produtor relevante de petróleo, o Brasil ainda depende de insumos com preços atrelados ao mercado externo. O Rabobank lista possíveis efeitos imediatos sobre o setor:
- aumento nos custos de fertilizantes;
- combustíveis mais caros;
- fretes rodoviário e marítimo encarecidos;
- maior volatilidade cambial;
- pressão sobre os custos de produção agrícola.
Dólar tende a ganhar força
Crises geopolíticas costumam estimular a busca por ativos considerados seguros. Embora o real tenha se mantido entre os destaques positivos entre moedas emergentes na última semana, o Rabobank projeta dólar a R$ 5,35 no fim de 2026, caso persistam incertezas fiscais internas e o ambiente externo continue tensionado.
Exportações favorecidas, insumos mais caros
Moeda norte-americana mais valorizada aumenta a competitividade de produtos como soja, milho, café, açúcar, algodão, carnes, celulose e suco de laranja. Ao mesmo tempo, o movimento encarece insumos importados, comprometendo margens de produtores rurais e agroindústrias.
Commodities agrícolas sustentadas
Café, soja, milho, trigo e algodão registraram retomada de preços na última semana, impulsionados por fatores climáticos e pela procura de investidores por ativos reais em meio à incerteza global.
Inflação e juros sob pressão
Petróleo mais caro reforça custos industriais, de transporte e de produção de alimentos, o que pode levar bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo, retardando a recuperação econômica global.
Volatilidade deve permanecer elevada
Nos próximos dias, os mercados devem monitorar novos desdobramentos entre EUA e Irã, a trajetória do petróleo, dados de inflação nos Estados Unidos e indicadores de atividade no Brasil. Qualquer escalada do conflito pode ampliar oscilações cambiais, afetar bolsas internacionais e alterar cotações de commodities.
Ainda que o agronegócio brasileiro permaneça bem posicionado para atender à demanda mundial por alimentos, produtores, cooperativas e tradings terão de intensificar o planejamento e a gestão de riscos para a safra 2026/27, acompanhando de perto custos logísticos, preços de energia e movimentos do câmbio.
Com informações de Portal do Agronegócio

