Washington (14.jul) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou nesta terça-feira (14/7) da cobrança de 20% sobre toda a carga que transita pelo Estreito de Ormuz, anunciada por ele na véspera. Em publicação na plataforma Truth Social, o republicano informou que a medida será substituída por “acordos comerciais e de investimento” a serem firmados com países do Golfo.
Trump declarou que esses investimentos serão “enormes” e “extraordinariamente bons” para as nações envolvidas. Apesar da retirada da taxa, o bloqueio norte-americano a navios que se dirigem a portos iranianos, partam deles ou transportem mercadorias ligadas ao Irã permanece em vigor.
Estreito aberto, mas não para o Irã
Na mesma mensagem, o presidente afirmou que o Estreito de Ormuz segue liberado “a todo o tráfego de navios, exceto o do Irã”, justificando a restrição pela “liderança mentirosa, violenta e maliciosa” de Teerã. Ele prometeu um “bloqueio total” contra embarcações associadas ao país persa.
Em abril, Washington já havia imposto um bloqueio semelhante que durou três meses; durante o período, forças norte-americanas atiraram contra pelo menos nove embarcações que, segundo o Pentágono, descumpriram ordens.
Reação internacional
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou na segunda-feira (14/7) a proposta de tarifa, comparando-a a “pirataria”. No Irã, o chanceler Abbas Araghchi ironizou a iniciativa e disse que Teerã poderia cobrar uma taxa “mais justa”, lembrando que o país “sempre foi o guardião do Estreito”.
Agências marítimas globais também manifestaram preocupação. Para analistas ouvidos pela BBC, o recuo evidencia mais uma mudança repentina de Trump, que disse ter revisto a decisão após contatos de nações do Golfo.
Ataques recentes e vítimas
A Organização Marítima Internacional (IMO), braço da ONU, confirmou pelo menos duas mortes e vários feridos em ataques noturnos a petroleiros na região. Um marinheiro indiano do navio Al Bahiyah morreu, e a IMO informou posteriormente o óbito de um segundo tripulante da mesma embarcação, localizada a 24 quilômetros da costa de Omã. Outro navio, o Mombasa B, também foi atingido; 14 marinheiros ficaram feridos.
Desde o início das hostilidades entre EUA e Irã, 17 marinheiros perderam a vida no Estreito de Ormuz, segundo a agência da ONU, que pediu o fim da escalada.
Importância estratégica de Ormuz
O corredor marítimo de cerca de 50 km de largura na entrada e saída, e 33 km em seu ponto mais estreito, conecta o Golfo ao mar da Arábia. Por ele passaram, em 2025, aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo e derivados por dia – volume estimado em US$ 600 bilhões por ano, de acordo com a Administração de Informações sobre Energia dos EUA (EIA). Qualquer interrupção na rota tende a restringir o comércio global de energia e elevar os preços do petróleo.
Com informações de BBC News

