A escalada de preços dos fertilizantes importados, que respondem por cerca de 88% do consumo nacional, está acelerando a busca por alternativas biológicas, fisiológicas e nutricionais nas lavouras brasileiras. Com o planejamento da safra 2026/27 já em curso, agricultores recorrem a tecnologias capazes de aumentar a eficiência na absorção de nutrientes e reduzir a dependência de insumos externos.
Geopolítica pressiona custos e abastecimento
Conflitos no Oriente Médio, restrições chinesas a exportações de fosfatados e os efeitos prolongados da guerra entre Rússia e Ucrânia mantêm o mercado global de fertilizantes instável. Interrupções temporárias no Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico, reforçaram a preocupação com logística e disponibilidade, elevando os custos para produtores no Brasil.
Tecnologias priorizam melhor uso de nutrientes
Entre as estratégias em expansão estão:
- fixação biológica de nitrogênio;
- solubilização de fósforo presente no solo;
- estímulo ao crescimento radicular;
- uso de microrganismos benéficos;
- manejo fisiológico e tecnologias de aplicação.
O avanço dessas soluções ganhou visibilidade internacional em 2025, quando a pesquisadora brasileira Mariangela Hungria recebeu o World Food Prize por estudos sobre microrganismos e fixação biológica de nitrogênio em ambientes tropicais. Hoje, inoculantes biológicos cobrem mais de 40 milhões de hectares no país, gerando economia anual estimada entre US$ 25 bilhões e US$ 40 bilhões em fertilizantes nitrogenados.
Abordagem integrada eleva produtividade
A Agrocete, empresa nacional focada em fisiologia vegetal e nutrição de plantas, defende a “Construção da Produtividade”, conceito desenvolvido a partir de 330 estudos conduzidos com 90 instituições de pesquisa. A estratégia reúne três pilares:
- Plantio, vigor e enraizamento – estabelecimento uniforme e maior exploração do solo;
- Arranque e força no crescimento – estímulo inicial para melhor aproveitamento de nutrientes;
- Tecnologia de aplicação – redução de perdas por deriva, evaporação e escorrimento.
Na safra 2024/25, 89 experimentos em dez estados mostraram aumentos médios de produtividade de até 13,2% comparados a manejos convencionais. Os ganhos chegaram a 5,4 sacas por hectare na soja, 18,9 sacas no milho e 14 t/ha na cana-de-açúcar.
Produtos biológicos ampliam oferta de fósforo e nitrogênio
Entre as soluções da empresa destaca-se o GRAP NOD PHOS, voltado a soja e milho. A formulação reúne Pseudomonas fluorescens (solubilização de fósforo) e Azospirillum brasilense (fixação complementar de nitrogênio), favorecendo o desenvolvimento radicular. Ensaios em milho registraram média de 18,3 sacas adicionais por hectare, raízes 40% mais pesadas e teor foliar maior de fósforo e nitrogênio, com possibilidade de reduzir em até 50% a adubação fosfatada sem queda produtiva. Na soja, o incremento médio foi de 8,6 sacas por hectare e 32% mais nódulos por planta.
O produto pode ser combinado ao GRAP NOD L+, inoculante líquido à base de Bradyrhizobium voltado à fixação de nitrogênio, e ao GRAP STPRO, que fornece cobalto e molibdênio essenciais na assimilação do nutriente.
Com o cenário internacional ainda incerto, especialistas apontam que o uso integrado de insumos biológicos, nutricionais e fisiológicos tende a se consolidar como componente chave para manter competitividade e previsibilidade nas lavouras brasileiras.
Com informações de Portal do Agronegócio

