A permanência do senador Jaques Wagner (PT-BA) como líder do governo no Senado entrou em análise no Palácio do Planalto após vir a público sua relação com o banqueiro baiano Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, um dos controladores do Banco Master.
Wagner, aliado histórico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não disputa a Presidência da República. Hoje, as pesquisas eleitorais apontam Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como nomes mais competitivos na corrida ao Planalto. Flávio é investigado por ter solicitado recursos a Vorcaro para financiar um filme em homenagem ao pai, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.
Auxiliares do governo avaliam que o vínculo de Wagner com Ferreira Lima pode desgastar a imagem do Executivo e custar votos ao presidente. Dentro desse contexto, interlocutores veem duas alternativas: o próprio senador deixar a liderança ou Lula promover sua saída.
Reação rápida em caso anterior
Em 5 de setembro de 2024, a ONG Me Too informou ter recebido denúncias de assédio sexual contra Silvio Almeida, então ministro dos Direitos Humanos. No dia seguinte, o presidente o exonerou, justificando que a gravidade das acusações tornava sua permanência “insustentável”.
As denúncias relatam que Almeida teria assediado a colega de governo Anielle Franco, na época ministra da Igualdade Racial e irmã da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. O processo tramita em sigilo no Supremo Tribunal Federal, e Almeida, que nega as acusações, ainda não foi formalmente notificado.
Exemplos na história recente
Durante o governo Itamar Franco (1992-1995), episódios semelhantes inspiraram medidas rápidas: o chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, deixou o cargo após ser citado em CPI, retornando meses depois, quando o relatório final o inocentou; já o ministro da Fazenda Eliseu Resende foi afastado ao se confirmar que uma diária de hotel em Nova York havia sido paga pela Odebrecht, antes de ele assumir o posto.
Contato entre Lula e Wagner
Ontem, Lula telefonou para Jaques Wagner. Em entrevista à rádio BandNews, o senador afirmou ter recebido “solidariedade” do presidente. Mesmo assim, dentro do governo cresce a avaliação de que será difícil manter Wagner à frente da articulação no Senado enquanto o Planalto critica a proximidade de Flávio Bolsonaro com o Banco Master.
Com informações de Metrópoles

