Brasília — O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump afirmou, em entrevista concedida após a reunião do G7, que o Brasil “se tornou um país complicado” e alegou ter “ouvido” que “prenderam o Bolsonaro Jr.”, supostamente um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, por declarações feitas no Texas. Segundo Trump, a detenção — que não ocorreu — teria ligação com a disputa eleitoral brasileira.
“Ouvi dizer que prenderam hoje alguém que está concorrendo a um cargo público. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. […] Prenderam-no, ou querem prendê-lo, para ter alguma coisa contra ele”, declarou o republicano.
Na mesma fala, Trump classificou a situação política brasileira como “um pouco perigosa” e sugeriu que a alegada prisão poderia beneficiar adversários de Jair Bolsonaro nas urnas.
Confusão sobre prisão inexiste
Nenhum dos filhos do presidente brasileiro foi detido. Eduardo Bolsonaro, deputado federal citado por Trump de forma indireta, não enfrenta ordem de prisão e ainda pode recorrer em processos judiciais em andamento. Flávio Bolsonaro, senador, também permanece em liberdade.
Lula reage
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mencionado por Trump na entrevista, respondeu durante coletiva: “Só espero que ele [Trump] não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. […] Não se meta nas eleições do Brasil porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. Como as eleições americanas são um problema deles e não meu”.
Lula acrescentou que Trump tem o direito de simpatizar politicamente com Jair Bolsonaro ou seus filhos, mas que uma eventual intervenção externa seria inaceitável.
Contexto eleitoral
As declarações de Trump ocorrem em meio à pré-campanha para as eleições municipais brasileiras e reacendem discussões sobre possível influência estrangeira no pleito. Parlamentares da oposição criticaram o tom do ex-presidente norte-americano e defenderam a soberania brasileira diante de pressões externas.
Até o momento, o governo dos Estados Unidos não se pronunciou oficialmente sobre as falas de Trump, que deixou a Casa Branca em janeiro de 2021.
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Com informações de Metrópoles

