A colheita brasileira de café da safra 2026/27 alcançou 84% da área até 5 de agosto, informou a Safras & Mercado. Apesar do avanço de seis pontos percentuais em uma semana, o ritmo segue abaixo dos 94% registrados no mesmo período de 2025 e da média histórica de 90% dos últimos cinco anos.
Desempenho por variedade
O café canéfora (conilon/robusta) lidera os trabalhos, com 99% da produção já colhida, nível similar ao de 2025 e levemente acima da média de 98%.
O café arábica, responsável pelas principais exportações brasileiras, soma 77% de colheita. O percentual fica aquém dos 91% do ano passado e da média quinquenal de 85%, refletindo chuvas atípicas associadas ao El Niño que atrasaram etapas de secagem e beneficiamento.
Impacto nos preços externos
A lentidão na entrada do novo café brasileiro sustenta os preços na Bolsa de Nova York. Segundo o analista Gil Barabach, da Safras & Mercado, a rolagem de posições do contrato setembro/26 para dezembro/26 intensificou a valorização dos vencimentos mais próximos, após o rompimento de resistências técnicas.
Os estoques certificados na bolsa permanecem nos menores níveis em dois anos e meio, fator que aumenta a volatilidade diante de qualquer sinal de restrição de oferta.
Qualidade em observação
Produtores relatam maior incidência de café de chão e redução de lotes especiais, efeito do excesso de umidade durante parte da colheita. O mercado monitora possíveis impactos na qualidade final dos grãos, sobretudo nas categorias de melhor bebida e nos cafés cereja descascado.
Clima segue no radar
O fortalecimento do El Niño mantém em pauta a distribuição de chuvas nas regiões produtoras do Sul de Minas e em origens asiáticas. O risco climático acrescenta prêmio aos contratos futuros enquanto a safra brasileira caminha para a reta final.
Com a conclusão dos trabalhos prevista para as próximas semanas, investidores observam três pontos principais: velocidade da colheita, padrão de qualidade e evolução dos estoques globais.
Com informações de Portal do Agronegócio

