A trajetória eleitoral brasileira indica que candidatos à Presidência da República raramente se elegem sem conquistar o próprio reduto eleitoral. Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do país, abriu o histórico em 25 de fevereiro de 1891, ao superar Prudente de Moraes por 129 votos a 97 em eleição indireta no Congresso. Desde então, a força no estado de origem tem sido fator determinante nas disputas nacionais.
Do Império à República Velha
Na primeira eleição direta, em 1894, o paulista Prudente de Moraes triunfou, impulsionado pelo domínio político de seu estado. O cenário oligárquico e o voto de cabresto favoreciam os candidatos governistas, que costumavam vencer na maior parte das províncias.
Golpes e retomada do voto popular
Em 1930, Getúlio Vargas impôs ampla vantagem no Rio Grande do Sul, mas perdeu para Júlio Prestes no restante do país. A insatisfação com o resultado levou à insurreição político-militar que colocou Vargas no poder até 1945. Após retornar eleito em 1950, Getúlio manteve o padrão de dominar o próprio estado. Seu suicídio, em 1954, abriu caminho para Juscelino Kubitschek, mineiro que sobreviveu a duas tentativas de levante militar, e depois para o mato-grossense Jânio Quadros, que renunciou em seis meses. Na sequência, o gaúcho João Goulart foi deposto pelo golpe de 1964, instalando uma ditadura de 21 anos.
Redemocratização
No pleito de 1989, o alagoano Fernando Collor confirmou a regra: no segundo turno, somou 73,89% dos votos em Alagoas, contra 26,11% de Lula. Fernando Henrique Cardoso, carioca com carreira em São Paulo, venceu duas vezes seguidas, assegurando maioria em ambos os estados. Lula, apesar de atuar politicamente em São Paulo, liderou sempre em Pernambuco, sua terra natal. Dilma Rousseff repetiu o padrão ao conquistar Minas Gerais nas eleições de 2010 e 2014.
Bolsonaro e o efeito 2022
Jair Bolsonaro, nascido em São Paulo e forjado politicamente no Rio de Janeiro, obteve 67,97% dos votos válidos paulistas e 67,95% dos fluminenses em 2018. Quatro anos depois, os índices caíram para 55,24% em São Paulo e 56,53% no Rio. Para 2026, a preocupação recai sobre Flávio Bolsonaro: as projeções indicam desempenho inferior ao do pai nos dois maiores colégios eleitorais, sem o apoio declarado do governador Tarcísio de Freitas (SP) nem do prefeito carioca Eduardo Paes, aliado de Lula.
Sem palanques fortes no Rio de Janeiro e em Minas Gerais — terceiro maior eleitorado do país —, e com o ex-presidente Lula mantendo vantagem expressiva no Nordeste, Flávio enfrenta obstáculos adicionais para cumprir a tradicional “primeira regra” de quem almeja o Planalto: ganhar em casa.
Com informações de Metrópoles

