Brasília – O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), confirmou que o Partido dos Trabalhadores pretende explorar eleitoralmente a suposta relação financeira entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master, durante a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.
Segundo Guimarães, o objetivo é evitar que adversários associem o escândalo do Banco Master ao governo federal. “O que não queremos é que culpas que não são do governo caiam no nosso colo. Não se pode sustentar uma candidatura com mentiras”, declarou o ministro em entrevista publicada nesta terça-feira (19).
Pedido de R$ 134 milhões para filme sobre Jair Bolsonaro
Reportagem do The Intercept Brasil, divulgada na semana passada, apontou que Flávio Bolsonaro solicitou R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Desse total, R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados.
Reação no PL e estimativa de rombo
Na manhã desta terça, Flávio deve se reunir com a direção nacional do PL para discutir os impactos do vazamento dos áudios que detalham a negociação com Vorcaro. Uma entidade que reúne policiais federais calcula que o rombo associado ao Banco Master chegue a R$ 500 bilhões, classificado como o maior escândalo financeiro da história do país.
O senador, seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e aliados como o deputado federal Mario Frias (PL-SP) vêm apresentando versões diferentes sobre o caso, o que, segundo Guimarães, minou a imagem de “moderno e ético” atribuída a Flávio. “O rei está nu e será difícil ele se vestir novamente”, comentou o ministro.
Pedido ao STF para incluir Flávio e Jair Bolsonaro em inquérito
Também nesta terça, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitou ao Supremo Tribunal Federal que inclua Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que investiga a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos para articular sanções contra o Brasil após as eleições de 2022. O parlamentar alega que parte do dinheiro destinado ao filme pode ter financiado essa campanha internacional.
Entre as medidas cautelares pedidas por Lindbergh estão a apreensão do passaporte de Flávio, a proibição de saída do país, o bloqueio de bens e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático. O deputado também solicitou cooperação jurídica com autoridades norte-americanas para rastrear possíveis pagamentos a lobistas e registros de reuniões de Eduardo Bolsonaro nos EUA.
Com informações de Gazeta do Povo

