Brasília – Um vídeo gravado pelo influenciador Linkon na Voz, de Guarulhos (SP), que relata a dificuldade de sustentar a família apesar do trabalho constante, ultrapassou 40 milhões de visualizações no Instagram desde a última quinta-feira (25). A gravação, feita em um ponto de ônibus da Avenida Paulista, transformou-se em símbolo da perda de poder de compra e já influencia a disputa presidencial de 2026.
Explosão de audiência espontânea
Em poucos dias, o perfil do influenciador saltou de 170 mil para mais de 2 milhões de seguidores, segundo dados da própria plataforma. A propagação ocorreu sem apoio de veículos de imprensa ou campanhas pagas, surpreendendo estrategistas políticos.
Oposição se apropria do tema
Figuras contrárias ao governo compartilharam o conteúdo para reforçar críticas ao alto custo de vida. O empresário e político Pablo Marçal (União) convidou Linkon para um encontro e passou a divulgar novos vídeos ao lado dele. Renan Santos (Missão), o deputado Kim Kataguiri (Missão) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) também repercutiram o material.
Além deles, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), o presidenciável Romeu Zema (Novo) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) interagiram com o perfil do influenciador ou redistribuíram o vídeo.
Distância entre indicadores e cotidiano
No registro, Linkon emociona-se ao afirmar que “trabalha, trabalha e não sai do lugar” e que “até carne moída virou luxo”. Para analistas, o relato deu rosto à insatisfação popular com preços de alimentos, aluguel e contas básicas, ampliando o desgaste do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição.
Neutralidade declarada
Após críticas sobre eventual uso político, o influenciador publicou novos vídeos dizendo que “político é funcionário público” e que seu depoimento reflete apenas a realidade do trabalhador brasileiro. Mesmo assim, outras gravações de consumidores reclamando de preços em supermercados se espalharam nas redes.
Redes sociais moldam agenda eleitoral
O cientista político Ismael Almeida avalia que a forte identificação do público com o desabafo mostra participação direta do cidadão comum no debate eleitoral. Estratégias de campanha, segundo ele, convivem agora com conteúdos espontâneos que podem alcançar mais pessoas que produções de alto custo.
Diante da repercussão, o governo intensificou a divulgação de programas voltados ao bolso da população e reconheceu que o custo de vida segue elevado. Já a oposição cita inflação dos alimentos, carga tributária, renda estagnada e incertezas fiscais como causas da perda do poder de compra.
O caso reitera, segundo consultores eleitorais, a dificuldade de controlar a narrativa em tempos de celular e redes sociais, onde um vídeo gravado em um ponto de ônibus pode influenciar o rumo da campanha presidencial.
Com informações de Gazeta do Povo

