Pequim – A comercialização de smartphones na China somou cerca de 66 milhões de aparelhos entre abril e junho de 2026, queda de 4,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados preliminares da consultoria IDC. Trata-se do quinto trimestre consecutivo de retração anual no maior mercado nacional de celulares do mundo.
Huawei assume a liderança; Apple avança
A Huawei ficou no topo do ranking com 22,6% das remessas e crescimento anual de 19,4%. A Apple apareceu em segundo, detendo 18,1% do mercado após alta de 24,4%. OPPO e vivo dividiram a terceira colocação, cada uma com 16% de participação.
Entre as demais grandes marcas, a Xiaomi teve o pior desempenho, recuando 21,7% e encerrando o trimestre com 12,4%. A Honor também perdeu espaço, enquanto a Samsung representou apenas 0,1% das vendas, queda de 60,8% na comparação anual.
Componentes mais caros pressionam vendas
O encarecimento de memória e outros insumos, verificado desde o fim de março, levou boa parte dos fabricantes que utilizam Android a elevar preços ou reduzir especificações, o que desestimulou a troca de aparelhos. O impacto ficou evidente no festival promocional 618, quando as vendas de celulares recuaram perto de 15% frente a 2025.
Huawei e Apple seguiram direção oposta, mantendo preços estáveis e lançando campanhas específicas. A chinesa ampliou sua linha para várias faixas de preço, enquanto a expectativa de reajuste nos iPhones para o segundo semestre teria antecipado compras da série iPhone 17.
Mercado cada vez mais concentrado
As seis maiores fabricantes agora respondem por cerca de 96% das vendas na China, reduzindo o espaço de marcas de porte médio ou pequeno. A participação mínima da Samsung, líder em diferentes regiões do mundo, ressalta a singularidade do mercado chinês, dominado por empresas locais como Huawei, OPPO, vivo, Xiaomi e Honor.
Projeções para o segundo semestre
No acumulado de janeiro a junho, foram movimentados aproximadamente 134 milhões de aparelhos, queda anual de 4,2%. A IDC alerta que, com a conclusão dos estoques comprados a preços mais baixos, a pressão de custos deve se intensificar, podendo levar a uma retração de até 20% no segundo semestre.
A consultoria acredita, contudo, que parte dos consumidores apenas posterga a troca, criando demanda reprimida para um novo ciclo de substituição entre 2028 e 2029. O avanço do “celular com agente de IA” – que combina hardware, sistema operacional, aplicativos e modelos de inteligência artificial – será outro fator decisivo, já que a China reúne fabricantes, plataformas digitais e empresas de tecnologia capazes de acelerar essa integração.
Os números divulgados são preliminares e sujeitos a revisão.
Com informações de Exame

