Uma estudante da Universidade de Brasília (UnB), de 19 anos, entregou à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) da Polícia Civil do Distrito Federal um conjunto de gravações que, segundo a investigação, comprova estupro, agressões físicas, cárcere privado e violência psicológica praticados por seu ex-namorado. O investigado é Davi de Oliveira Mendonça, 25 anos, que se apresenta como músico e designer.
Diante do material coletado, a Justiça concedeu medidas protetivas de urgência que proíbem qualquer aproximação ou contato do suspeito com a vítima. O inquérito tramita sob sigilo.
Abusos começaram quando a vítima tinha 17 anos
De acordo com o depoimento, os episódios de violência iniciaram em 2021, quando a jovem cursava o 3º ano do ensino médio e enfrentava luto pela morte do avô. Na época, o então namorado, com 23 anos, passou a controlar conversas no celular e nas redes sociais, além de desmerecer conquistas acadêmicas da estudante.
Com o avanço do relacionamento, tentativas de término eram respondidas com ameaças, difamação e isolamento social. A vítima relata que foi falsamente acusada de racismo no Gama, período em que desenvolvia pesquisa sobre jovens negros na periferia.
Escalada de violência física e sexual
Ao aceitar morar com o suspeito, a universitária diz ter sofrido espancamentos, destruição de pertences e intimidações sobre supostos “contatos influentes” da família dele. Entre as gravações entregues à polícia está um áudio que, segundo a investigação, registra o momento do estupro enquanto a jovem estava sob efeito de antialérgicos, causando lesões no colo do útero e sangramento por cinco dias.
Em outra ocasião, após tentar retirar objetos pessoais do apartamento, ela afirma que foi arrastada por escadas, pisoteada e arremessada contra móveis, ficando trancada sem acesso ao telefone até desmaiar por pico de pressão.
Perseguição após o término
Mesmo com o fim do relacionamento, o homem teria seguido a vítima em ambientes de trabalho e militância política para desacreditá-la. Em 23 de abril deste ano, ele a perseguiu dentro de um ônibus do BRT do Gama. Na madrugada de 1º para 2 de maio, sob o pretexto do sumiço de um celular, enforcou a jovem e ameaçou matá-la; o trecho também foi gravado.
A Polícia Civil apurou que o investigado já responde a processo por violência doméstica com base na Lei Maria da Penha. A Deam continua ouvindo testemunhas e analisando os vídeos e áudios entregues pela defesa da estudante.
Procurado, Davi de Oliveira Mendonça confirmou ter sido notificado da medida protetiva, declarou não conhecer o teor integral do inquérito e afirmou ser inocente.
Com informações de Metrópoles

