Diplomatas brasileiros avaliam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, devem construir uma relação centrada em resultados práticos, apesar de pertencerem a espectros políticos opostos.
Saudações públicas
Espriella foi oficialmente declarado vencedor da eleição colombiana na última quinta-feira (25). No mesmo dia, Lula usou as redes sociais para parabenizar o povo colombiano, enfatizar o “processo democrático e soberano” e defender a parceria bilateral como “fundamental para a superação de desafios comuns”. Horas depois, o colombiano respondeu que pretende manter cooperação com o Brasil: “A Colômbia, em liberdade e ordem, sob meu mandato, buscará um único objetivo: cumprir a aliança com o povo que, como afirmei durante a campanha, não é de ideologias, mas de extrema coerência, e isso inclui nossos vizinhos do Brasil, liderados por seu presidente, Lula”.
Expectativa de cooperação
Para interlocutores da área internacional do governo brasileiro, Bogotá deve continuar interessada em aprofundar projetos conjuntos em quatro frentes principais:
- infraestrutura,
- energia,
- combate ao crime organizado,
- monitoramento, prevenção e mitigação de desastres naturais.
O Palácio do Planalto prevê diálogo construtivo que não dependa de alinhamento ideológico, repetindo a postura adotada com outros governos de direita na região.
Mudança de eixo político na América do Sul
A vitória de Espriella reforça o avanço de forças conservadoras no continente e aproxima a Colômbia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O derrotado Iván Cepeda era aliado do atual presidente Gustavo Petro. Com o novo cenário, apenas cinco dos 12 países sul-americanos continuam sob administrações de esquerda ou centro-esquerda, deixando Lula entre os poucos líderes desse campo nas maiores economias da região.
Pressão por segurança e alianças militares
Assessores de Lula apontam que o novo equilíbrio regional deve ampliar a influência de Washington e aumentar a cobrança sobre Brasília no combate ao narcotráfico. Brasil e o governo Petro foram os únicos a ficar fora da coalizão militar Escudo das Américas, criada contra cartéis de drogas a convite de Trump. A expectativa é que a Colômbia se junte ao grupo tão logo Espriella assuma, enquanto o Brasil tende a estreitar laços com México, Guiana e Suriname.
Impacto em fóruns regionais
A guinada à direita pode dificultar articulações em instâncias como Celac e Unasul, defendidas por Lula. Já o Mercosul deve manter relevância devido à estrutura comercial consolidada e a projetos de infraestrutura em curso, considerados menos sensíveis a mudanças de governo.
Estratégia dos Estados Unidos
Os Estados Unidos intensificam esforços para aumentar presença militar e conter o avanço chinês na América Latina. A Casa Branca retoma a lógica da Doutrina Monroe (“A América para os Americanos”), com foco em imigração e narcotráfico. Diplomatas brasileiros avaliam que, até o momento, Washington não apresentou proposta concreta de integração ou novos investimentos, e tem inclusive elevado tarifas sobre produtos da região, entre eles brasileiros.
O governo brasileiro não prevê postura beligerante entre Lula e Espriella e espera manter a política de boa vizinhança observada em outros países governados pela direita.
Com informações de G1

