Brasília, 31 de agosto de 2026 – O novo Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) impõe regras mais rígidas de rastreabilidade a commodities como carne bovina, soja, café e cacau, colocando a comprovação de origem no centro das estratégias de exportação para o bloco europeu.
Requisitos entram em vigor a partir de 2026
Pelo texto, exportadores só poderão acessar o mercado europeu se demonstrarem que a produção não ocorreu em áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020 e que todo o processo obedece à legislação do país de origem. As principais obrigações passam a valer em 30 de dezembro de 2026 para empresas de médio e grande porte; micro e pequenas terão prazo até 30 de junho de 2027.
Monitorar fornecedores indiretos é ponto crítico
Além de identificar o vendedor direto, as companhias deverão rastrear todos os elos anteriores da cadeia. Na pecuária, isso significa mapear as fases de cria, recria e engorda; em soja, café e cacau, acompanhar o caminho desde a fazenda até cooperativas, armazéns e tradings. A exigência amplia a responsabilidade de frigoríficos, indústrias, varejistas, bancos e seguradoras que financiam ou comercializam esses produtos.
Tecnologia se torna condição de mercado
Para atender ao EUDR, será necessário integrar dados de geolocalização, imagens de satélite, histórico de uso da terra e fluxos de mercadorias. A União Europeia já disponibiliza um sistema eletrônico com APIs para receber declarações de diligência em larga escala, permitindo a checagem automatizada das informações enviadas pelos exportadores.
Incentivos econômicos acompanham fiscalização
Apenas o controle não deve bastar, avalia Sérgio Rocha, CEO da Agrotools. Segundo ele, instrumentos financeiros que premiem o bom desempenho socioambiental – como linhas de crédito diferenciadas, seguros atrelados a indicadores de sustentabilidade, pagamentos por serviços ambientais e ativos de carbono – serão decisivos para engajar produtores. A UE e seus Estados-membros já mobilizaram 81,5 milhões de euros para apoiar cadeias livres de desmatamento em mais de 26 países.
Brasil vê oportunidade competitiva
Com grande escala produtiva, diversidade agropecuária e domínio de tecnologias tropicais, o Brasil pode transformar a rastreabilidade em trunfo comercial, afirma Rocha. Empresas capazes de comprovar a procedência e o cumprimento da legislação ambiental tendem a preservar acesso ao mercado europeu, atrair investimentos e agregar valor aos produtos.
Para isso, o setor terá de investir em sistemas que deem visibilidade aos fornecedores indiretos e garantam monitoramento territorial contínuo. Provar a origem, concluem especialistas, deve se tornar tão importante quanto produzir em volume.
Com informações de Portal do Agronegócio

