Uma residência de alto padrão situada na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, foi alvo da Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (29/4) durante mais uma etapa da Operação Contenção, que investiga o setor financeiro do Comando Vermelho (CV). O imóvel pertence a Lucas Santos Nepomuceno, irmão do rapper Oruam, suspeito de participar da movimentação e da ocultação de recursos provenientes do tráfico de drogas.
Imóvel de luxo
De acordo com os investigadores, a casa chama atenção pelo padrão elevado: ampla área construída, piscina, hidromassagem e espaço gourmet com churrasqueira, em uma das regiões mais valorizadas da cidade. Lucas não estava no local no momento do cumprimento dos mandados.
Mandados de prisão
Entre os alvos de prisão estão Márcia Nepomuceno, mãe de Oruam, e o próprio Lucas. O pai do artista, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, preso em presídio federal, também é investigado.
Esquema de lavagem de dinheiro
Coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), a operação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes pontos do Rio, incluindo Jacarepaguá e a Barra da Tijuca. A apuração, em curso há cerca de um ano, identificou um esquema estruturado de lavagem de dinheiro que utilizava contas de terceiros, fracionamento de valores e reinserção dos recursos ilícitos no mercado formal. A polícia aponta que o grupo funcionava como um “setor financeiro” da facção, responsável por receber valores do tráfico, pulverizar quantias para dificultar o rastreamento e adquirir bens ou pagar despesas.
Os investigadores também detectaram movimentações bancárias incompatíveis com a renda declarada pelos suspeitos.
Antecedentes da família
O sobrenome Nepomuceno já havia aparecido em outra fase da mesma operação. Em março, durante a Contenção Red Legacy, Márcia Nepomuceno foi apontada como elo de comunicação entre líderes presos e integrantes em liberdade. Na época, chegou a ser considerada foragida, mas teve a condição revogada após concessão de habeas corpus.
Influência de Marcinho VP
Mesmo preso há décadas no sistema penitenciário federal, Marcinho VP continua exercendo influência sobre a facção, segundo a polícia. Conversas interceptadas revelam articulações financeiras que reforçam a existência de uma estrutura organizada para manter o fluxo de recursos do CV.
Até agora, ao menos um operador financeiro foi detido nesta quarta-feira. As diligências prosseguem para localizar outros envolvidos, identificar empresas de fachada e rastrear o destino final do dinheiro.
A Operação Contenção integra a estratégia do governo estadual de enfraquecer não apenas o braço armado, mas também a base financeira das facções criminosas.
Com informações de Metrópoles

