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PF investiga “emenda Master” e aponta articulação conjunta de aliados de Lula e Bolsonaro

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A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero para apurar suspeitas de favorecimento ao Banco Master por meio da chamada “emenda Master”, proposta que pretendia ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ.

Quem são os principais alvos

O principal alvo da ação é o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou mandados de busca e apreensão que também atingem:

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  • Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master;
  • Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário de Meio Ambiente da Bahia;
  • Bonnie Toaldo Bonilha, nora do senador;
  • Guilherme Henrique Sodré Martins (“Tio Guiga”), pai de Eduardo;
  • Outros operadores financeiros, empresários e 10 empresas listadas pela PF.

Como a emenda surgiu

A proposta foi apresentada em 13 de agosto de 2024 pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, como emenda à PEC 65/2023, que dá autonomia financeira e orçamentária ao Banco Central. De acordo com a PF, o texto teria sido redigido por assessores do Banco Master e entregue ao parlamentar em envelope fechado.

As investigações apontam que Wagner atuou como articulador da matéria. No mesmo dia em que a emenda foi protocolada, houve intensa troca de ligações entre Daniel Vorcaro, dono do Master, Augusto Lima, Guilherme Sodré, o chefe de gabinete de Wagner e o próprio senador. Um telefonema entre Lima e Wagner durou 9 minutos e 19 segundos, seguido do envio do link da proposta.

Repercussão e tramitação

Apesar da pressão de governistas e oposicionistas, o relator da PEC, senador Plínio Valério (PSDB-AM), não incorporou a sugestão. A PEC foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça em 10 de abril sem a alteração no FGC. Após virar alvo da PF, Ciro Nogueira reapresentou o conteúdo da emenda como projeto de lei complementar.

Vantagens indevidas, segundo a PF

Em troca da atuação legislativa, Wagner teria recebido:

  • Pagamentos que somam R$ 3,5 milhões, feitos por empresas ligadas ao enteado do senador;
  • Um apartamento avaliado em mais de R$ 2,4 milhões no edifício Poeme Residence, em Salvador;
  • Uso recorrente de jatos particulares e ingressos para um show em Los Angeles no valor de R$ 63 mil, custeados pela Reag Investimentos, gestora de fundos utilizados pelo Banco Master.

Outros temas sob investigação

Além da elevação do FGC, a PF apura a participação de Wagner em:

  • Discussões para ampliar a margem de crédito consignado a trabalhadores, aposentados e beneficiários do BPC;
  • Fiscalização da possível compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

O senador Jaques Wagner e Ciro Nogueira negam irregularidades. Plínio Valério afirma não ter sido procurado por nenhum dos dois para apoiar a emenda.

Com informações de G1

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