Os preços do trigo permaneceram firmes no mercado brasileiro ao longo da semana encerrada em 10 de julho, refletindo a escassez de produto da safra anterior e a baixa liquidez típica do período de entressafra. A avaliação é da Safras & Mercado, que aponta postura cautelosa de produtores e compras pontuais dos moinhos como fatores que mantêm o equilíbrio, mesmo com ritmo reduzido de negócios.
Qualidade restrita impulsiona cotações
O analista Elcio Bento destaca que a disponibilidade de lotes com padrão superior de qualidade é limitada, circunstância que sustenta os valores negociados. Segundo ele, “o mercado ficou equilibrado, porém pouco dinâmico, sustentado principalmente pela falta de trigo de melhor qualidade”.
Paraná mantém estabilidade nas negociações
No Paraná, os preços do trigo pão oscilaram entre R$ 1.450 e R$ 1.500 por tonelada CIF moinho. Para remessas destinadas ao norte do estado, com qualidade superior, as indicações seguiram de R$ 1.530 a R$ 1.550 por tonelada CIF. A média FOB no interior paranaense, apurada na semana encerrada em 2 de julho, ficou em R$ 1.397 por tonelada — queda de 0,7% ante a semana anterior e de 2,3% frente ao mês anterior. Apesar dessas variações, o cereal acumula valorização de 19% em 2026.
Rio Grande do Sul sente falta de trigo com baixo DON
No Rio Grande do Sul, a demanda é concentrada em lotes com baixos níveis de DON (deoxinivalenol), valorizados pela indústria moageira. Os preços ficaram entre R$ 1.300 e R$ 1.330 por tonelada FOB no interior, enquanto para entrega imediata em Porto Alegre as indicações giraram em torno de R$ 1.350 por tonelada CIF, com negócios pontuais alcançando R$ 1.400. Lotes com problemas de qualidade foram negociados com descontos, variando de R$ 1.285 a R$ 1.315 por tonelada FOB.
Importações e câmbio reforçam sustentação
Além da oferta curta da safra velha, outros fatores que contribuem para a manutenção das cotações são a necessidade de importação durante a entressafra, a recuperação recente dos contratos futuros nas bolsas norte-americanas, o câmbio em nível mais alto que no mês anterior e a baixa disponibilidade de trigo de alta qualidade no mercado interno.
Perspectivas
A expectativa é de continuidade do baixo volume de negócios nas próximas semanas, enquanto produtores acompanham o desenvolvimento das lavouras da nova safra e compradores evitam compromissos maiores. Até que a produção de 2026 avance, a combinação de oferta restrita e demanda cautelosa deve seguir sustentando as cotações, sobretudo para lotes de melhor qualidade.
Com informações de Portal do Agronegócio

