Dados da prestação de contas de 2025 mostram que nove legendas atuaram praticamente sem recursos do Fundo Partidário, sustentando suas estruturas com doações de pessoas físicas, contribuições de filiados, outras receitas e até depósitos judiciais. São elas: Democracia Cristã (DC), PSTU, Agir, Missão, Unidade Popular (UP), Mobiliza, Democrata, PCB e PRTB.
Desde a emenda constitucional de 2017, o acesso ao Fundo Partidário exige que o partido alcance, na eleição para a Câmara dos Deputados, 3% dos votos válidos distribuídos nacionalmente ou eleja pelo menos 15 deputados federais. Sem cumprir essa meta, as nove siglas ficaram de fora da divisão do fundo em 2025.
Entre os 29 partidos com contas já analisadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 20 usaram majoritariamente dinheiro público. Os demais registraram entre 99,9% e 100% de receita proveniente de outras fontes.
Comparativo com grandes partidos
A distância em valores é grande. O PL, por exemplo, declarou R$ 318,3 milhões em receitas em 2025 – 98,1% oriundos do Fundo Partidário. O PT informou R$ 240,1 milhões, dos quais 80,4% também vieram do fundo.
Como cada partido se financiou em 2025
Democracia Cristã (DC)
Maior arrecadação entre as siglas sem fundo: R$ 2,8 milhões, sendo R$ 1,8 milhão em doações de pessoas físicas. O repasse público foi simbólico, apenas R$ 197,97. As despesas somaram R$ 2,74 milhões, concentradas em folha de pessoal e transferências financeiras.
PSTU
Recebeu R$ 1,41 milhão, dos quais R$ 1,06 milhão vieram de contribuições de filiados. Os gastos atingiram R$ 1,40 milhão, principalmente com aluguéis, condomínios e serviços técnico-profissionais.
Agir
Arrecadação de R$ 873,7 mil, majoritariamente (R$ 692,5 mil) de doações de pessoas físicas. Despesas ficaram em R$ 863,2 mil, divididas entre adiantamentos diversos, pessoal e serviços técnicos.
Unidade Popular (UP)
Entraram R$ 772,4 mil: R$ 246,2 mil de filiados, R$ 236,1 mil de doações individuais e R$ 142,1 mil em outras receitas. Gastos totalizaram R$ 510,4 mil, diluídos entre aluguéis, despesas gerais e transferências financeiras.
Mobiliza
Receitas de R$ 521,3 mil; a maior parcela (R$ 383,4 mil) classificada como “outras contribuições”. O partido terminou o ano no vermelho: despesas de R$ 702,8 mil, puxadas por transferências financeiras e serviços técnico-profissionais.
Missão
Arrecadou R$ 787,2 mil, quase a totalidade (R$ 785,5 mil) vinda de pessoas físicas. O partido gastou R$ 264,7 mil, com destaque para fornecedores de confecção, gráfica e advocacia. Segundo a tesouraria, a sigla complementa a receita com a venda do “Livro Amarelo”.
Democrata
Ex-Partido da Mulher Brasileira, registrou R$ 190,6 mil em 2025. A maior fonte foi “outras receitas diversas” (R$ 73,1 mil). Desembolsou R$ 162,3 mil, mais da metade em serviços técnicos e despesas judiciais.
PCB
Entraram R$ 164,3 mil, divididos entre outras contribuições (R$ 84,8 mil), filiados (R$ 48 mil) e aluguéis (R$ 9,9 mil). As despesas chegaram a R$ 138,6 mil, quase 90% concentradas em serviços técnico-profissionais e aluguéis.
PRTB
Menor arrecadação do grupo: R$ 46,9 mil, principalmente por meio da recuperação de depósitos judiciais (R$ 25,9 mil). As despesas somaram R$ 58,9 mil; mais da metade também ligada a depósitos restituíveis.
À exceção do Missão, as demais siglas foram procuradas para comentar as informações financeiras, mas não responderam até o fechamento desta reportagem.
Com informações de G1

