Zhang Zhidong, cidadão chinês de 39 anos e graduado em espanhol pela Universidade de Pequim, é acusado pelas autoridades dos Estados Unidos e do México de comandar uma rede internacional que abastecia o cartel de Sinaloa com precursores químicos usados na produção de fentanil, cocaína e metanfetamina.
Formação e mudança para o México
Concluída a universidade em 2010, Zhang desembarcou no México no ano seguinte para trabalhar em uma mineradora chinesa de ferro. Colegas descrevem um profissional habilidoso, fluente em espanhol e com facilidade para transitar entre interlocutores do setor privado e do submundo criminal. Após o fechamento da empresa em 2013, ele permaneceu no país.
Ligação com o cartel de Sinaloa
Segundo integrantes do cartel identificados como Enrique e Luís, Zhang — conhecido no crime como “Irmão Wang” ou “rei do fentanil” — usou contatos na China para garantir o envio de precursores por navio ou avião até laboratórios clandestinos em Sinaloa. A partir de 2016, dizem promotores norte-americanos, ele liderou “uma enorme organização de tráfico de narcóticos e lavagem de dinheiro”.
Documentos judiciais apontam exportação e distribuição de mais de 1 000 kg de cocaína, 1 800 kg de fentanil e 600 kg de metanfetamina, além da movimentação anual de mais de US$ 150 milhões em receitas ilícitas.
Prisão, fuga e extradição
Zhang foi detido no México em 31 de outubro de 2024. Posto em prisão domiciliar por decisão judicial, escapou por um buraco na parede, voou em jatinho particular para Cuba e seguiu rumo à Rússia, onde foi barrado por documentação falsa. Devolvido a Havana e depois ao México, acabou extraditado para os Estados Unidos em 2025.
Em audiência em Nova York, o então vice-procurador-geral Todd Blanche classificou-o como “um dos traficantes mais perigosos do mundo”. Zhang declarou-se inocente e aguarda julgamento.
Efeitos na cadeia de suprimento
Após a captura, produtores mexicanos relataram dificuldade para obter insumos, e a Agência de Combate às Drogas dos EUA detectou queda na pureza do fentanil. Pesquisadores alertam, porém, que interrupções costumam ser temporárias; já haveria outro intermediário de nacionalidade chinesa atuando para o cartel.
Repercussão internacional
O presidente americano Donald Trump chamou traficantes de fentanil de “narcoterroristas” e classificou a substância e seus componentes como armas de destruição em massa, utilizando o tema para impor tarifas a China, México e Canadá. A embaixada chinesa em Washington afirmou que o país mantém “um dos controles mais rígidos do mundo” sobre substâncias relacionadas ao fentanil e reforçou a cooperação antidrogas com os EUA.
Enquanto Zhang permanece sob custódia, investigadores de ambos os lados da fronteira monitoram as rotas de precursores que continuam ligando a indústria química chinesa aos laboratórios clandestinos mexicanos.
Com informações de BBC News Brasil

