Brasília, 11 de setembro de 2026 – Os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin encaminharam novos ofícios ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, exigindo a liberação imediata de todos os dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ambos afirmam que a cópia de segurança mantida lacrada no gabinete do relator André Mendonça pode ser compartilhada sem risco à cadeia de custódia.
Moraes sustentou que “não compete ao relator selecionar” quais documentos serão disponibilizados aos demais integrantes do colegiado. Ele pediu a entrega integral da mídia e a indexação dos arquivos periciados pela Polícia Federal (PF) nos softwares Cellebrite e IPED.
Sigilo parcial contestado
Fachin já havia determinado o levantamento do sigilo sobre o chamado “caso Master”, permitindo que as informações subsidiem as decisões do plenário, que deverá analisar o relatório da PF em 15 de setembro. O documento revela mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes e foi tornado público por Mendonça.
Na manhã desta sexta-feira (11), Moraes, Zanin e a Procuradoria-Geral da República afirmaram que parte dos autos permanece sob sigilo. Fachin expediu novo despacho para que o relator libere todos os papéis, exceto aqueles ligados a diligências em andamento.
Em ofício separado, Moraes acusou Mendonça de manter o sigilo parcial para “proteção ostensiva de determinado grupo político”, comparando a situação ao direcionamento de investigações em acordos de colaboração premiada.
Pedido de cópia em HD
Também nesta sexta, Zanin solicitou a Fachin que os “dados brutos” do celular de Vorcaro sejam entregues em um disco rígido independente. Mendonça respondeu que o aparelho original está guardado nos depósitos da PF, preservando a cadeia de custódia prevista no artigo 158-F do Código de Processo Penal.
Minutos depois, Zanin reiterou o pedido, alegando que a preservação se refere apenas ao dispositivo físico, não à cópia de segurança já extraída. Ele lembrou que a defesa de Vorcaro recebeu acesso irrestrito ao conteúdo e que negar o material aos demais ministros pode dificultar o julgamento. Caso a mídia não seja repassada pelo gabinete do relator, o ministro defende que a PF forneça cópias diretamente a cada gabinete do STF.
O impasse ocorre a quatro dias do julgamento em plenário, marcado para 15 de setembro, quando o Supremo deve decidir sobre eventuais desdobramentos das mensagens encontradas no aparelho de Vorcaro.
Com informações de Gazeta do Povo

