Uma equipe internacional de astrônomos criou o vídeo de mais alta resolução já obtido de um jato emanado de um buraco negro supermassivo. O resultado foi alcançado após a análise de 116 imagens captadas entre 1995 e 2022 e pelo emprego do Kine, algoritmo de aprendizado de máquina que recompõe o movimento do material e aprimora as imagens.
O objeto estudado está no núcleo da galáxia 3C 345, classificada como blazar, onde um buraco negro supermassivo — possivelmente acompanhado por um segundo — lança um jato de gás e plasma a velocidades próximas à luz. O comportamento irregular desse jato é monitorado há décadas.
Três visões do mesmo fenômeno
No vídeo, os pesquisadores apresentam o fenômeno sob três perspectivas:
- Intensidade total – mostra o brilho integral do jato;
- Polarização – indica a configuração do campo magnético;
- Fluxo óptico – revela a velocidade projetada do plasma.
Velocidades que parecem ultrapassar a luz
A alta definição permitiu medir, com precisão inédita, a velocidade aparente do plasma. Os cálculos indicam que a maior parte do gás se desloca entre nove e 12 vezes a velocidade da luz, enquanto as regiões mais brilhantes atingem de dez a 13 vezes esse valor. O efeito, no entanto, é fruto da geometria de observação; nada viaja realmente mais rápido que a luz.
Surpreendentemente, as áreas mais luminosas não exibem sinais de serem frentes de choque — interpretação antes considerada provável. A ausência de correlação entre brilho acentuado e picos de polarização enfraquece essa hipótese e levanta novas questões sobre os processos presentes nos jatos relativísticos.
Aprendizado de máquina amplia detalhes
Ao reconstruir o movimento quadro a quadro, o Kine proporcionou resolução quatro vezes superior e contraste 140 vezes maior que métodos tradicionais. Parte dos cientistas envolvidos também atuou no Event Horizon Telescope, responsável pela primeira imagem direta de um buraco negro.
Os autores preveem que o mesmo algoritmo possa ser útil na futura obtenção do primeiro vídeo do horizonte de eventos de um buraco negro. O estudo completo foi publicado na revista Nature.
Com informações de Olhar Digital

