Brasília – Declarações e vídeos divulgados por Michelle Bolsonaro na noite de quarta-feira (24) escancararam o conflito com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e deram início a uma queda de braço pelo comando do movimento bolsonarista.
Movimento calculado
Aliados de Flávio interpretam as manifestações de Michelle como uma estratégia para reduzir a influência do senador no presente e, simultaneamente, pavimentar o terreno para assumir o protagonismo político no futuro. Segundo essa avaliação, a ex-primeira-dama estaria disposta a expor divergências internas da família para evitar que o primogênito de Jair Bolsonaro se consolide como herdeiro natural do capital político do pai.
Pivô da crise: o Ceará
O estopim da disputa remonta a 2023, quando Michelle criticou publicamente uma tentativa de aproximação de bolsonaristas com Ciro Gomes (PDT) durante evento no Ceará. Na ocasião, a deputada federal Priscila Costa (PL-CE), apoiada por Michelle para concorrer ao Senado, perdeu espaço para Alcides Fernandes, pai do deputado André Fernandes (PL-CE), que articulava o acordo com Ciro. O episódio voltou ao centro do debate após as declarações de quarta-feira.
Reação de Flávio e futuras eleições
Em resposta, Flávio minimizou a polêmica: “Hoje é dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece”, afirmou na quinta-feira (25). Já Michelle rebateu dizendo que “minha prioridade agora não são candidaturas”, insinuando divergência sobre os rumos eleitorais.
No entorno do senador, a avaliação é de que a ofensiva da ex-primeira-dama mira não apenas a eleição de 2026, na qual Flávio se coloca como pré-candidato ao Planalto, mas também o cenário de 2030, quando a direita deverá redefinir lideranças no chamado pós-Lula.
Lealdade a Jair Bolsonaro
Pessoas próximas a Michelle afirmam que ela tenta se apresentar como a integrante mais fiel às diretrizes traçadas por Jair Bolsonaro. Esse posicionamento, acreditam, poderia garantir legitimidade para comandar o bolsonarismo caso o ex-presidente fique impedido de disputar cargos.
O embate familiar, antes restrito aos bastidores, ganhou amplitude nacional e evidenciou a disputa interna pela herança política de Jair Bolsonaro.
Com informações de G1

