Genebra (Suíça) — 17 de junho de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o ex-mandatário norte-americano Donald Trump “não deve se meter nas eleições do Brasil”. A declaração foi dada em entrevista coletiva na Suíça, após Lula participar, como convidado, da cúpula do G7 realizada em Évian-les-Bains, na França.
Sem reunião bilateral
Lula disse que não solicitou encontro exclusivo com Trump porque Brasília e Washington ainda negociam a possível ampliação de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. Diplomatas cogitavam a realização da bilateral durante o evento europeu, mas o encontro não ocorreu.
Críticas de Trump ao cenário político
No mesmo dia, Trump classificou o Brasil como um “país politicamente difícil” e alegou ter “passado bastante tempo” com Lula no G7, sem detalhar o conteúdo das conversas. O republicano também comentou o processo eleitoral brasileiro e confundiu os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Questionado sobre as declarações, Lula reagiu: “Os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil e ter eleições mais tranquilas”. O presidente brasileiro elogiou o sistema de urnas eletrônicas, que divulga resultados em até duas horas, e disse que pretende levar uma urna para mostrar a Trump “como ela funciona”.
“Ele pode ter as preferências dele, mas não deve ferir a soberania de um país amigo”, afirmou Lula, acrescentando que Trump é livre para apoiar “Bolsonaro, pai, filho ou neto”, mas deve respeitar o processo eleitoral brasileiro.
“Coisa desaforada” e tráfico de armas
Lula qualificou como “coisa desaforada” a intenção dos Estados Unidos de elevar tarifas contra produtos nacionais e de rotular o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Segundo o presidente, Trump “fala muito e ouve pouco”.
O petista relatou ter entregue a Trump um documento sobre crime organizado, destacando a capacidade da Polícia Federal de combater facções. Ele também afirmou que “todas as armas apreendidas pela PF vêm de Miami”.
Cobranças ao formato do G7
Lula criticou a dinâmica dos debates no G7, classificando-os como “samba de uma nota só”, já que o documento final costuma ser aprovado antes da chegada dos países convidados. Apesar das divergências, o presidente reiterou não buscar confronto com Estados Unidos, União Europeia ou China, ressaltando que pretende manter diálogo comercial com todos.
Com informações de G1

