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Lula afirma nunca ter sido “esquerdista” em conversa captada durante cúpula do G7

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PARIS (17.jun.2026) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que “nunca foi esquerdista” durante diálogo informal com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão, Friedrich Merz, à margem da reunião do G7, na França. A conversa, realizada na quarta-feira (17), foi registrada pela transmissão oficial do encontro sem que o mandatário brasileiro soubesse que o áudio estava aberto.

Ao justificar sua posição política, Lula afirmou ter atuado sobretudo como dirigente sindical e destacou laços históricos com centrais trabalhistas europeias. “Eu era um dirigente sindical, que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, muito forte. Uma relação boa com o sindicalismo italiano e uma relação boa com a UGT da Espanha”, disse.

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Eleição brasileira em pauta

O diálogo teve início quando Lula explicou a Merz e Georgieva o funcionamento das eleições no Brasil, da campanha ao voto eletrônico. Na sequência, avaliou que “o mundo não é de esquerda, mas de centro”, comentário que levou Georgieva a lembrar a expectativa internacional de que ele fosse “esquerdista” quando assumiu o Planalto pela primeira vez, em 2003.

O presidente relembrou ainda episódio dos anos 1980, quando foi convidado a participar de um congresso na Rússia, mas não pôde viajar por ter sido condenado pela antiga Lei de Segurança Nacional. Segundo Lula, a turnê posterior pela Europa rendeu-lhe o rótulo de “anticomunista”, observação que provocou risos no grupo.

Defensor do sistema brasileiro de urnas eletrônicas, Lula reiterou que o modelo é auditável e recomendou sua adoção por outros países.

Trump chama Brasil de “politicamente difícil”

Também na quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter conversado “bastante” com Lula durante a cúpula. Questionado pela repórter Bianca Rothier, da TV Globo, sobre temas tratados, Trump não deu detalhes, mas classificou o Brasil como um “país politicamente complicado” e “perigoso politicamente”.

O republicano fez referência confusa aos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele mencionou suposta prisão de “Bolsonaro Jr.”, confundindo Flávio e Eduardo Bolsonaro. Na véspera, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenara o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) a quatro anos e dois meses de prisão por tentativa de interferir no julgamento do pai em investigação golpista, sentença que ainda não transitou em julgado. Eduardo permanece em liberdade e não é pré-candidato à Presidência; quem manifestou intenção de disputar o cargo é Flávio Bolsonaro, que não responde a processo.

Trump também comparou processos eleitorais, alegando que “ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos” e que eleições americanas seriam “totalmente roubadas”.

Resposta brasileira

Em coletiva após as declarações do líder norte-americano, Lula afirmou que Trump “precisa aprender com as eleições civilizadas” do Brasil e prometeu “levar uma urna eletrônica” para demonstrar o sistema quando voltarem a se encontrar. O presidente brasileiro disse não ver “razões” para solicitar encontro bilateral neste momento, apesar de negociações em andamento entre os dois países.

As discussões sobre política interna brasileira dominaram os bastidores do G7, que ocorre na França e reúne líderes de Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, além de convidados.

Fim.

Com informações de G1

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