O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 26 de junho, que o cenário internacional exige atenção do Brasil para a própria defesa. Durante cerimônia de batismo da Fragata Cunha Moreira, em Itajaí (SC), Lula acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de planejar a anexação do Canal do Panamá, da Groenlândia e até do Canadá. “Está cheio de nego maluco no mundo. Agora mesmo, o presidente americano quer tomar a Groenlândia, o Canadá, que vai virar estadunidense, e o Canal do Panamá. Onde é que nós estamos?”, questionou.
Referência a declarações de 2025
Lula citou falas de Trump feitas no início de 2025, quando o líder norte-americano declarou não descartar o uso da força para assumir o controle desses territórios. O presidente brasileiro afirmou que, diante da “maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra”, o país precisa estar preparado para se defender, embora não deseje entrar em guerras.
Preocupação com classificação de facções
O tema ganhou força depois que Washington classificou as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Para auxiliares de Lula, essa rotulagem pode abrir espaço para ações mais duras dos EUA e, em cenário extremo, servir de pretexto para uma operação militar em território brasileiro.
Tensões comerciais
Além da área de segurança, a relação bilateral enfrenta impasse comercial. Os Estados Unidos propuseram tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros, medida contestada por Brasília. Uma audiência pública marcada para 6 de julho integra o processo que antecede a decisão final do governo Trump.
Contato recente entre líderes
Lula e Trump estiveram juntos na Cúpula do G7, na França, na semana passada, mas o contato foi restrito a uma foto oficial, sem cumprimentos diante das câmeras. Antes disso, em 7 de maio, Lula passou cerca de três horas na Casa Branca e saiu anunciando disposição para fortalecer a parceria econômica — clima que se deteriorou nas semanas seguintes.
Papel de Flávio Bolsonaro
Em meio às negociações tarifárias, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visitou Washington, onde se reuniu com Trump, o vice-presidente J. D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. Na ocasião, defendeu a designação do CV e do PCC como grupos terroristas e pediu que as tarifas não fossem aplicadas. Em carta enviada a Flávio, Rubio manteve a posição favorável às sobretaxas e criticou a política comercial brasileira.
As declarações de Lula em Santa Catarina reforçam o discurso de soberania nacional diante de pressões externas e ampliam a tensão diplomática entre Brasília e Washington.
Com informações de G1

