O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira, 28 de maio, que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) serão incluídos, a partir de 5 de junho, na lista norte-americana de Organizações Terroristas Estrangeiras. Veículos de comunicação de vários países atribuíram o timing da medida à atuação política dos filhos do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
Visita a Trump antes do anúncio
Dois dias antes da divulgação oficial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, reuniu-se com o ex-presidente Donald Trump na Casa Branca. No encontro, o parlamentar solicitou que Washington classificasse as facções criminosas brasileiras como terroristas.
Repercussão nos Estados Unidos
O The New York Times abriu reportagem com a manchete: “Após nova pressão dos Bolsonaros, EUA classificam gangues brasileiras como grupos terroristas”. O jornal relatou “meses de lobby agressivo” de filhos de Jair Bolsonaro e comentou que a decisão “pode reacender tensões” entre Brasil e Estados Unidos, recém-engajados em processo de reaproximação diplomática. A publicação ainda destacou o risco de sanções econômicas a bancos que mantenham vínculos com as organizações, dado o envolvimento das facções em setores como distribuição de gás, mercado imobiliário, commodities e criptomoedas.
Perspectiva financeira
O britânico Financial Times observou que a classificação vinha sendo avaliada há pelo menos um ano, mas ressaltou que o momento escolhido “dá impulso” à campanha de Flávio Bolsonaro, de 45 anos, cuja plataforma enfatiza endurecimento contra o crime. O jornal lembrou que o governo Luiz Inácio Lula da Silva era contrário à medida, por entender que PCC e CV não possuem motivações ideológicas e que a nova designação poderia abrir caminho a eventual intervenção militar norte-americana em território brasileiro.
Análises do Oriente Médio e da Europa
A rede Al Jazeera, do Catar, relacionou a iniciativa à política de Donald Trump de ampliar o uso da designação de terrorismo para grupos criminosos latino-americanos, estratégia descrita como parte da “Doutrina Donroe”, variação contemporânea da Doutrina Monroe. A emissora avaliou que a decisão deve ter impacto direto nas eleições brasileiras e recordou ações anteriores de Trump em apoio à família Bolsonaro.
Já a francesa France24 ressaltou que governos de centro-esquerda, como os de Brasil e México, posicionam-se contra rotular quadrilhas como terroristas, enquanto administrações de direita, a exemplo de Equador e Honduras, apoiam a prática. O canal classificou a medida como “afronta política” ao presidente Lula, que esteve em Washington no início de maio para reunião com Trump.
Contexto da política externa norte-americana
Segundo o The New York Times, a gestão Trump já aplicou a designação de terrorismo a mais de uma dezena de grupos latino-americanos, o que permite impor bloqueios financeiros e outras sanções a indivíduos, empresas ou bancos que mantenham relações com as facções listadas.
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Com informações de G1

