Programas de bem-estar vistos apenas como iniciativas isoladas ou itens de orçamento de RH não conseguem sustentar resultados financeiros nem reter talentos, conclui a executiva Helyn Thami, da HT Consultoria. Em artigo publicado em 31 de julho de 2026, a especialista afirma que líderes precisam incorporar o tema aos processos centrais da organização para gerar impacto real.
Pressão de curto prazo x saúde de longo prazo
Segundo Thami, diretores se veem entre a cobrança imediata de acionistas e a necessidade de manter um ambiente saudável para os funcionários. Quando a cultura é tratada como algo que pode ser “gerido por decreto”, a companhia cria iniciativas esteticamente atraentes, mas desconectadas da rotina de trabalho.
Dados que ligam bem-estar a desempenho
Estudo da Universidade de Oxford — Workplace Wellbeing and Firm Performance, conduzido por Jan-Emmanuel De Neve, Micah Kaats e George Ward — identificou correlação positiva entre satisfação dos colaboradores, produtividade, lealdade do cliente e valor de mercado. As 100 empresas com melhor índice de bem-estar superaram o S&P 500 de forma consistente.
Levantamentos do Center for Positive Organizational Scholarship, da Universidade da Califórnia, reforçam o quadro: trabalhadores felizes são, em média, 31% mais produtivos, têm criatividade três vezes maior e registram 37% mais vendas do que colegas menos satisfeitos.
Desafios impostos pela tecnologia
O ritmo acelerado de inovação, somado às recentes alterações na NR-1, trouxe a saúde cognitiva para o centro do debate trabalhista no Brasil. Pesquisas citadas pela executiva mostram que o uso excessivo de telas influencia negativamente a cognição, fenômeno apelidado de brain rot e descrito pelo Hospital Israelita Albert Einstein como deterioração mental causada por consumo de conteúdo pouco desafiador.
Papel decisivo da liderança
Thami sustenta que a alta gestão deve garantir regras e estruturas que reflitam os valores corporativos – e não apenas discursos inspiradores. Para ela, a maioria dos programas de MBA ainda forma executivos para modelos de comando e controle do século XX, sem ensinar a projetar sistemas de trabalho que protejam o principal ativo da empresa: as pessoas.
Integrar bem-estar corporativo às estratégias de negócio, conclui a CEO, será o diferencial das próximas lideranças para manter equipes saudáveis e, consequentemente, aumentar a lucratividade.
Com informações de Exame

