O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta segunda-feira (25/5) que o Brasil foi “um dos países menos afetados” pela guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, responsável por pressionar as cotações internacionais do petróleo e aumentar a volatilidade nos mercados.
A avaliação foi feita em São Paulo, durante o lançamento do 5º Leilão do Eco Invest Brasil, iniciativa que integra o Plano de Transformação Ecológica do governo federal e busca fortalecer cadeias produtivas estratégicas por meio de inovação tecnológica.
Objetivo do novo leilão
De acordo com a Fazenda, a nova rodada criará três mecanismos financeiros complementares voltados a aproximar empresas, universidades, centros de pesquisa, startups e investidores, acelerando tecnologias ligadas à transição ecológica e ao desenvolvimento industrial. O programa passará a apoiar toda a jornada de inovação, da pesquisa acadêmica ao escalonamento comercial.
“O Estado dá o pontapé inicial e aponta gargalos, enquanto a iniciativa privada traz o que há de melhor”, afirmou Durigan. Ele citou como prioridades combustíveis verdes, biofertilizantes, minerais críticos, baterias e bioeconomia.
Recursos envolvidos
Nesta rodada, o Tesouro Nacional poderá aportar até R$ 2,5 bilhões:
- R$ 1,5 bilhão destinados a fundos de inovação, que, com alavancagem mínima de duas vezes, podem atingir até R$ 4,5 bilhões;
- até R$ 1 bilhão reservado a uma linha de crédito corporativo.
Cada instituição financeira disputará uma das cadeias estratégicas, sendo responsável pela estruturação dos Fundos de Inovação Eco Invest e demais instrumentos. Investidores poderão utilizar dívida conversível para combinar retorno financeiro e participação no crescimento das empresas apoiadas. As linhas de crédito seguirão o modelo das rodadas anteriores, exigindo contratação de projetos de P&D&I pelas companhias financiadas.
Apoio internacional e exemplo anterior
O Eco Invest Brasil conta com respaldo técnico e financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), incluindo empréstimo de US$ 1 bilhão e mecanismos de mitigação de risco cambial. O presidente do BID, Ilan Goldfajn, classificou o modelo brasileiro como referência para outros países.
Na mesma cerimônia, o governo apresentou os resultados do 4º leilão, voltado à bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura na Amazônia Legal. O certame recebeu propostas de oito bancos, homologou R$ 3,1 bilhões em capital catalítico — proveniente de ABC Brasil, Banco do Brasil, Bradesco e BTG Pactual — e tem potencial para mobilizar R$ 13,2 bilhões em investimentos totais, dos quais R$ 7,2 bilhões poderão vir do exterior. O eixo de infraestrutura concentrou mais de R$ 7,8 bilhões, enquanto iniciativas de bioeconomia reuniram R$ 4,4 bilhões.
Balanço do programa
Desde 2023, o Eco Invest Brasil já realizou quatro leilões e contabiliza mais de R$ 140 bilhões mobilizados, com 13 instituições financeiras credenciadas. Para Durigan, o quinto leilão reforça a resiliência econômica do país diante de choques externos, como o recente aumento nos preços dos combustíveis motivado pelo conflito no Oriente Médio.
Com informações de Metrópoles

