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Disputa por comando do Congresso emperra votações e opõe Hugo Motta e Davi Alcolumbre

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Em meio à corrida eleitoral de 2026, Câmara dos Deputados e Senado Federal acumulam projetos parados enquanto seus presidentes, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), concentram esforços na própria recondução aos cargos. O impasse tem adiado temas considerados prioritários pelo Palácio do Planalto e pela oposição.

Prioridades do governo travadas no Senado

Com boa interlocução junto ao Executivo, Motta levou ao plenário da Câmara medidas de interesse do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre elas, a PEC da Segurança Pública, aprovada em março pelos deputados. O texto busca fortalecer a imagem do governo entre eleitores de centro-direita, mas permanece sem despacho de Alcolumbre para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

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Também depende de encaminhamento a PEC que prevê redução da jornada de trabalho sem corte salarial. Embora afirme a aliados que colocará o tema em votação antes das eleições, Alcolumbre ainda não designou relator nem reagendou reunião cancelada com o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA).

Senado aprova propostas rejeitadas na Câmara

No movimento inverso, projetos aprovados pelos senadores encontram resistência entre os deputados. É o caso do texto que renegocia dívidas de produtores rurais com subsídios federais. A equipe econômica calcula impacto de R$ 140 bilhões em 13 anos, e Motta indica não pretender pautar a matéria, classificada por ele como “impagável”.

Reeleição com lados opostos

Parlamentares avaliam que o ritmo desigual das votações está ligado à disputa interna pelo comando das Casas. Segundo congressistas, Alcolumbre busca apoio do PL e de partidos de oposição; Motta, por sua vez, estreitou vínculos com o PT. “Ambos só pensam nisso”, resume um deputado ouvido pelo G1.

Relação com o Planalto influencia agenda

Alcolumbre é apontado como responsável por uma das maiores derrotas do governo Lula nesta legislatura: a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Desde então, interlocutores do Planalto relatam afastamento do senador, considerado hoje o principal obstáculo para avanços de propostas do Executivo.

Já a relação de Motta sofreu leve desgaste após Lula gravar vídeo em apoio à reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). O presidente da Câmara deseja que o Planalto declare preferência pelo pai dele, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), pré-candidato ao Senado. Parlamentares, contudo, avaliam que o episódio ainda pode ser contornado e não deve impedir o andamento de projetos governistas na Câmara.

Pautas previstas antes do recesso

Motta pretende enviar ao Senado, até o recesso parlamentar, três matérias: o projeto que aumenta o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI); a proposta que equipara misoginia a crime de racismo; e o Marco Legal da Inteligência Artificial. Deputados acreditam que as duas primeiras podem ser aprovadas rapidamente, mas cobram debates adicionais sobre o texto da IA.

Calendário apertado

Além das festas juninas e da Copa do Mundo, o calendário eleitoral deve reduzir o tempo presencial de deputados e senadores em Brasília. A expectativa é que, durante a campanha, votações ocorram em formato remoto, o que pode alongar ainda mais a tramitação de propostas.

Para destravar a pauta, integrantes da base governista defendem que Alcolumbre reaproxime-se do Planalto. Até o momento, contudo, o senador mantém o discurso de que o Senado “não pode ser casa carimbadora”.

Enquanto isso, Hugo Motta e Davi Alcolumbre seguem em conversas diárias, mas com agendas legislativas que se anulam mutuamente — cenário que deve persistir até a definição das mesas diretoras em 2027.

Com informações de G1

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