A 100 dias do primeiro turno das eleições de 2026, as sondagens de opinião apontam vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), mas indicam uma corrida ainda aberta e suscetível a novos fatos políticos e judiciais.
Pesquisa Quaest e Datafolha mostram Lula na liderança
No levantamento Quaest de junho, Lula aparece com 39% das intenções de voto contra 29% de Flávio Bolsonaro. No Datafolha, a diferença é semelhante: 41% a 31%. Os números representam um distanciamento em relação às consultas anteriores, realizado após a divulgação de conversas entre Flávio e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Paradoxo da direita
Apesar do desgaste do senador, nenhum nome de centro-direita conseguiu emergir como alternativa competitiva. Políticos como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Aécio Neves (PSDB) somam, juntos, cerca de 12% das intenções de voto, segundo a Quaest.
Caso Master e impacto na campanha
A Operação Compliance Zero, que investiga Vorcaro por lavagem de dinheiro e fraudes financeiras, ainda analisa o material apreendido. Duas tentativas de delação do ex-banqueiro foram rejeitadas. Bastidores de Brasília tratam o inquérito como de alcance suprapartidário.
Flávio Bolsonaro foi diretamente afetado após mensagens revelarem pedido de R$ 61 milhões a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Na Quaest, o senador caiu de 33% para 29% no primeiro turno e, em simulação de segundo turno, recuou de 41% para 38%. Entre eleitores independentes, sua preferência passou de 31% para 24%.
Pressão sobre o governo com investigação de Jaques Wagner
Na base governista, o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou a liderança do governo no Senado em 24 de junho após se tornar alvo da Compliance Zero. A Polícia Federal apura a compra de um apartamento de luxo em Salvador e repasses de R$ 3,5 milhões atribuídos a familiares do parlamentar.
Eleitores independentes ganham protagonismo
Estimados em 32% do eleitorado, os independentes priorizam temas como democracia, segurança pública, combate à corrupção e desburocratização. Em simulação de segundo turno da Quaest, Lula abriu 13 pontos nesse segmento: 37% a 24%.
A disputa antecipada nos tribunais
Antes mesmo do início oficial da campanha, em 16 de agosto, o Tribunal Superior Eleitoral registrou aumento de 335% nas representações por propaganda antecipada em comparação com 2022, totalizando mais de 130 ações. PT e PL são os principais autores.
Entre decisões recentes, o ministro André Mendonça determinou a remoção de conteúdos contra Lula e de uma deepfake envolvendo Flávio Bolsonaro. Já o presidente da Corte, Kássio Nunes Marques, rejeitou pedido petista para barrar o filme “Dark Horse” e suspendeu divulgação de pesquisa Atlas/Intel desfavorável ao senador, sob suspeita de falhas metodológicas.
Com o ambiente judicializado, as campanhas reforçaram suas equipes jurídicas: Flávio contratou a ex-ministra Maria Cláudia Bucchianeri, enquanto o grupo de Lula passou a contar com o advogado Ângelo Ferraro.
Inteligência artificial vira alvo de fiscalização
O principal motivo da enxurrada de ações no TSE é o uso de inteligência artificial em peças eleitorais. As regras exigem identificação clara de conteúdos gerados ou manipulados por IA e proíbem deepfakes que possam enganar o eleitor. Entre os casos em análise estão:
- vídeo do PL que retrata Lula e familiares em paródia de “A Grande Família”;
- deepfake simulando reunião de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro;
- personagens digitais que divulgam conteúdos descontextualizados;
- vídeo em que Flávio Bolsonaro, por IA, atira contra embarcações marcadas com siglas CV e PCC.
Ministros reconhecem que monitorar materiais produzidos por IA será um dos maiores desafios deste pleito.
Com múltiplas frentes de investigação, queda de popularidade de pré-candidatos e crescimento de ações judiciais, o cenário eleitoral segue volátil às vésperas do início oficial da campanha.
Com informações de G1

