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Desinformação sobre ebola provoca ataques a profissionais de saúde na RD Congo

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Rumores de que o ebola “não existe” ou seria usado para lucrar têm alimentado uma onda de violência contra equipes médicas na República Democrática do Congo (RD Congo). O surto iniciado em meados de maio já infectou mais de 1.750 pessoas e causou 600 mortes, segundo dados do governo.

Enterro sob ataque

Em Bunia, no leste do país, o voluntário da Cruz Vermelha Daniel Uyirwoth Welo, de 27 anos, e três colegas foram agredidos enquanto realizavam um sepultamento seguro no mês passado. A multidão tentou abrir o caixão alegando que estava vazio. “Disseram que o ebola não existe e que estávamos ali só para ganhar dinheiro”, contou Welo.

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Casos se multiplicam

Levantamento do BBC Verify identificou 12 episódios de resistência às medidas de controle da doença; sete deles foram confirmados por imagens em redes sociais. Entre os registros há incêndios a centros de tratamento, agressões a profissionais e tentativas de impedir enterros seguros.

No dia 1º de julho, um centro de tratamento em Bafwabango, província de Ituri, foi incendiado. A imprensa local informou que um policial morreu durante confrontos em torno do corpo de uma vítima suspeita. Em maio, manifestantes destruíram duas tendas de isolamento em Rwampara após serem impedidos de retirar o corpo de um parente.

Vírus sem vacina aprovada

O surto atual é causado pela espécie Bundibugyo do vírus. Ainda não há vacina ou tratamento aprovado, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) iniciou ensaio clínico com duas terapias em potencial. Especialistas alertam que os resultados podem levar meses.

Funerais e desconfiança

Tradicionalmente longos e marcados por contato direto com o corpo, os funerais congoleses são apontados por autoridades sanitárias como fator de risco. Equipes humanitárias realizam enterros seguros, evitando toques e lavagem dos mortos, prática que enfrenta resistência.

A antropóloga Julienne Anoko, da OMS, lembra que as cerimônias têm forte valor cultural: “As mulheres se vestem de noiva, cantam, celebram a pessoa; é uma jornada, não o fim da vida”, disse.

Levantamento da ActionAid em Ituri revelou que um terço dos entrevistados considera o ebola um fenômeno espiritual ou resultado de feitiçaria. “A desinformação é a maior aliada do vírus”, afirmou Wessam Mankoula, dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças.

Ataques a profissionais

No mês passado, dois trabalhadores de saúde foram espancados na província de Quivu do Norte. Vídeos verificados mostram uma profissional tentando fugir de homens armados com pedaços de madeira e outro agente rastejando enquanto é apedrejado.

A Federação Internacional da Cruz Vermelha relata que algumas famílias abandonam corpos para evitar quarentena. “Muitos pensam que os centros de tratamento são lugares onde se vai para morrer”, disse Aimé Mbonda Noula.

Desconfiança histórica

Analistas atribuem a rejeição às equipes de saúde a décadas de instabilidade, presença de grupos armados e disputa por minerais. “Há uma base sólida de desconfiança em tudo que vem de fora, inclusive do governo central”, observou o consultor Jean-Vivien Mombouli.

Para a OMS, reconquistar a confiança das comunidades é tão importante quanto o cuidado médico. “A desconfiança é o verdadeiro campo de batalha”, escreveu o diretor-geral Tedros Adhanom em junho.

Com informações de BBC News Brasil

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