Brasília – A publicitária Danielle Miranda Fonteles declarou à Polícia Federal que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, acompanhou o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, em visitas técnicas a instalações industriais em Portugal voltadas à produção de produtos à base de cannabis. O depoimento foi tomado pela corporação e integra o inquérito que apura desvios bilionários de benefícios previdenciários.
Segundo Danielle, responsável por consultoria ao empresário, Lulinha participou das agendas como convidado de Antunes, mas não atuou nas tratativas comerciais nem teve função operacional durante as reuniões.
Viagem e projeto industrial
Documentos da investigação indicam que Lulinha esteve em Portugal em novembro de 2024, em passagem de classe executiva paga por Antunes. O roteiro incluiu a cidade de Aveiro, onde o lobista negociava a compra de um imóvel industrial avaliado em 2,5 milhões de euros para instalar uma fábrica de cannabis medicinal. Um sinal de 100 mil euros chegou a ser efetuado antes da prisão de Antunes interromper a negociação.
Consultoria e pagamentos
No depoimento, Danielle confirmou ter se mudado para Portugal em 2019 para assessorar brasileiros interessados em empreender na Europa. Ela disse receber remuneração mensal de Antunes e negou participação societária com o empresário. A publicitária também explicou à PF que transferências feitas por empresas ligadas ao “Careca do INSS” referem-se a uma negociação imobiliária, não a repasses irregulares.
Posicionamento da defesa
Advogados de Lulinha afirmam que a viagem era conhecida publicamente, ocorreu antes das suspeitas contra Antunes e não envolveu participação em negócios ou recebimento de valores. Alegam ainda que o depoimento confirma inexistência de vínculo do filho do presidente com as fraudes investigadas.
Relação intermediada por Roberta Luchsinger
As investigações apontam que a aproximação entre Lulinha e Antunes foi feita pela empresária Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente. Ela admitiu em depoimento ter apresentado os dois e, segundo relatórios da PF, recebeu cerca de R$ 1,5 milhão de empresas ligadas ao lobista. Conversas apreendidas mostram orientações para envio de R$ 300 mil a uma companhia em nome de Roberta, valor que Antunes teria descrito como destinado ao “filho do rapaz”. A defesa de Roberta nega irregularidades e diz colaborar com as autoridades.
Embora Lulinha não seja formalmente investigado, seu nome consta em registros de viagens, documentos e depoimentos analisados pela Polícia Federal e por membros da extinta CPMI do INSS, que chegou a examinar o pagamento de passagens e hospedagens pelo lobista.
Até o momento, a PF afirma não ter encontrado indícios de participação de Fábio Luís nas negociações ou na estrutura societária dos projetos conduzidos pelo “Careca do INSS”.
Com informações de Gazeta do Povo

