O segundo estágio de um foguete Falcon 9, utilizado pela SpaceX para lançar as sondas Blue Ghost e Hakuto-R em janeiro de 2025, deve colidir com a superfície lunar às 3h35 (horário de Brasília) de 5 de agosto. Após 18 meses em órbita altamente elíptica entre a Terra e a Lua, o equipamento — sem combustível para uma manobra de descarte controlado — segue trajetória calculada como inevitável pelos astrônomos.
Onde e como será o impacto
Os modelos indicam que o choque ocorrerá próximo à cratera Einstein, próxima à região visível do satélite natural e à cratera Carroll, designada pela tripulação da missão Artemis 2. Embora a área esteja iluminada pelo Sol, o ponto de impacto fica perto da borda da Lua, o que pode permitir a visualização da pluma de detritos lançada para o espaço. Observatórios profissionais e amadores na América, África e Europa já organizam campanhas para registrar o fenômeno.
Dados técnicos
• Massa do estágio: cerca de 5 toneladas
• Velocidade estimada no choque: 2.430 m/s
• Energia liberada: equivalente a 3 toneladas de dinamite
• Tamanho previsto da cratera: aproximados 30 metros de diâmetro
Oportunidade científica
Conhecer previamente as características do objeto que atingirá a Lua permite testar modelos matemáticos usados para estimar energia, brilho e quantidade de material ejetado em impactos naturais. Caso as medições coincidam com as previsões, os cálculos usados para estudar crateras lunares e de outros corpos do Sistema Solar ganham mais precisão; diferenças ajudarão a aprimorar esses métodos.
Além disso, o choque deve expor camadas abaixo do regolito — a fina camada de fragmentos que cobre a superfície lunar — oferecendo dados sobre minerais pouco alterados pelo ambiente espacial ou compostos voláteis normalmente protegidos da radiação solar.
Lixo espacial em debate
Embora traga benefícios à ciência, o episódio também reforça a discussão sobre a gestão de resíduos de missões espaciais. O descarte não controlado de objetos dessa dimensão na Lua pode se tornar um risco adicional à medida que futuras bases humanas sejam instaladas no satélite.
Para os cientistas, o impacto representa um evento modesto na longa história de colisões lunares; para a comunidade astronômica, é uma chance rara de observação direta. A SpaceX não comentou publicamente sobre ações de mitigação para estágios semelhantes em missões futuras.
Com informações de Olhar Digital

