Rio Grande do Sul, 31 de julho de 2026 – As cotações do arroz em casca registraram forte alta em julho, superando 17% no principal estado produtor, enquanto agentes da cadeia acompanham a próxima etapa de Aquisições do Governo Federal (AGF) para recomposição de estoques.
Mercado ganha fôlego
De acordo com a consultoria Safras & Mercado, o Indicador Safras para arroz em casca 58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista, encerrou o dia 30 a R$ 70,19 por saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul. O valor equivale a:
- alta semanal de 4,17%;
- ajuste positivo de 17,37% no mês;
- elevação de 1,43% frente a igual período de 2025.
Segundo o consultor Evandro Oliveira, a valorização reflete a redução gradual dos estoques excedentes e maior dificuldade de compradores em encontrar produto disponível. “O excedente estrutural começa a ceder, criando ambiente mais favorável à recuperação de preços”, afirma.
Compras da Conab geram expectativa
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) pretende adquirir 310 mil toneladas de arroz pela AGF para reforçar os estoques públicos dentro da Política de Garantia de Preços Mínimos. A iniciativa, contudo, ainda desperta cautela no setor por falta de detalhes operacionais.
Entre os pontos pendentes estão variedades contempladas, padrões de qualidade, cronograma de execução, critérios de habilitação e, principalmente, o valor de referência: R$ 63,74 por saca da temporada atual ou R$ 68,07 projetados para a próxima safra.
Oliveira avalia que a indefinição pode levar produtores a segurar parte dos volumes, reduzindo ainda mais a oferta imediata.
Exportações seguem decisivas
Para analistas e integrantes da cadeia, a manutenção de embarques em ritmo firme será essencial para escoar excedentes, aliviar a oferta interna e sustentar a tendência de alta. O desempenho das exportações permanece como indicador-chave para o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses.
Com a aproximação da safra 2026/27 e a expectativa sobre a execução das compras governamentais, o mercado entra em fase de atenção redobrada. O detalhamento das regras da AGF, o fluxo das exportações e a disponibilidade física do cereal indicarão se a recuperação recente continuará ou se haverá novos ajustes de preços.
Com informações de Portal do Agronegócio

