Especialistas alertam que a quantidade de artefatos inativos e fragmentos em órbita da Terra cresce a ponto de ameaçar o uso seguro do espaço. Levantamento da Agência Espacial Europeia (ESA), divulgado em julho, indica a existência de aproximadamente 47 mil objetos feitos pelo ser humano ao redor do planeta, somando cerca de 17 mil toneladas.
Foguetes, satélites e resíduos na Lua
A preocupação não se limita à órbita terrestre. Recentemente, um estágio de foguete da SpaceX colidiu com a superfície lunar, gerando uma cratera adicional no satélite natural. Estima-se que a Lua já abrigue cerca de 3 mil equipamentos humanos, totalizando aproximadamente 209 toneladas de materiais. Entre esses itens estão 96 sacos contendo fezes, urina e vômito deixados pelos astronautas das missões Apollo.
Síndrome de Kessler: risco de colisões em cadeia
Quanto maior o tráfego de objetos no espaço, maior a chance de choques entre eles. A hipótese, conhecida como Síndrome de Kessler, foi formulada em 1978 pelos pesquisadores Donald Kessler e Burton Cour-Palais. O cenário prevê colisões sucessivas que gerariam novos fragmentos e, por consequência, uma verdadeira barreira de detritos ao redor do planeta, dificultando lançamentos e prejudicando satélites vitais.
Regiões orbitais mais suscetíveis
Os equipamentos concentram-se, principalmente, na órbita baixa terrestre, até 2 mil km de altitude, onde operam estações espaciais e constelações como a Starlink. Acima dela, a órbita média alcança 20 mil km e abriga satélites de navegação. Já a órbita geoestacionária, a 35.786 km, comporta satélites de comunicação e meteorologia; enquanto a órbita alta, além desse limite, é usada para observações científicas.
Quando a situação pode se agravar
Um estudo da Universidade de Chicago projeta que o processo descrito pela Síndrome de Kessler poderá tornar-se crítico entre 2040 e 2184, intervalo amplo que depende do ritmo de novos lançamentos. Caso a densidade de detritos atinja patamares extremos, levaria milhares de anos para que os fragmentos deixassem a órbita naturalmente.
Iniciativas de mitigação
Missões experimentais buscam capturar ou empurrar objetos inativos para reentrada controlada na atmosfera. Paralelamente, astrônomos do Outer Space Institute defendem na ONU a adoção de regras internacionais que limitem e responsabilizem os lançamentos, tentativa de conter o avanço do lixo espacial antes que o acesso à órbita se torne inviável.
Mesmo sem impacto imediato na superfície terrestre, a formação de um cinturão de detritos comprometeria comunicações, navegação, observação meteorológica e futuras viagens espaciais, exigindo resposta coordenada de agências, governos e setor privado.
Com informações de Olhar Digital
