O setor brasileiro de fertilizantes atravessa um momento de tensão. Com menor disponibilidade internacional, restrição de crédito e riscos no transporte, produtores, cooperativas e distribuidores antecipam compras e priorizam produtos já nacionalizados para evitar atrasos.
Entregas recuam 5,4% no primeiro semestre
Levantamento da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) aponta queda de 5,4% nas entregas ao mercado interno entre janeiro e junho de 2026, totalizando 19,02 milhões de toneladas.
Pressão crescente sobre fosfatados
A maior preocupação recai sobre os fertilizantes fosfatados, cuja substituição agronômica é mais limitada. A oferta internacional restrita e o risco de atrasos logísticos elevam a importância de fechar contratos com antecedência.
Nitrogenados buscam novas rotas
Nos nitrogenados, a menor importação de ureia vem abrindo espaço para alternativas como o sulfato de amônio. A mudança exige avaliação técnica sobre concentração de nutrientes, custo por quilo de nitrogênio, logística e recomendação de manejo.
“Tempestade perfeita” na cadeia de suprimento
Para Rafael Almeida, diretor da AgriConnection Fertilizers, vários fatores atuam simultaneamente: “Estamos diante de uma combinação entre comercialização e entrega, cenário geopolítico e restrições de crédito. Quem deixou a negociação para depois pode encontrar preços mais altos, falta de produto e janelas logísticas comprometidas”, afirma.
Preferência por produto já desembaraçado
Para reduzir riscos, compradores privilegiam fertilizantes desembaraçados nos portos brasileiros. Esse movimento diminui a exposição a atrasos em rotas marítimas, filas de desembarque e processos de importação.
Crédito caro limita formação de estoque
Taxas mais altas e menor acesso a financiamentos dificultam a antecipação de compras, elevando a probabilidade de concentração de demanda próximo ao plantio — momento em que a capacidade logística pode se tornar um gargalo.
Negociações se adiantam em 2026
A AgriConnection comercializou 130 mil toneladas em 2025. Até o início de setembro de 2026, já acumulava cerca de 106 mil toneladas entre entregas e contratos, sinal de que clientes estão se antecipando para assegurar volumes.
Com oferta internacional enxuta, crédito restrito e desafios na logística, o planejamento de compras e a diversificação de fontes devem permanecer no centro das estratégias para a próxima safra.
Com informações de Portal do Agronegócio

