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Açúcar de cana de baixo índice glicêmico é criado com resíduos de café e amendoim

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Pesquisadores brasileiros desenvolveram um novo tipo de açúcar de cana com índice glicêmico reduzido ao incorporar compostos antioxidantes extraídos de resíduos de café verde defeituoso e da película avermelhada do amendoim. A tecnologia, criada pela Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (PBIS), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), teve pedido de patente depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e foi apresentada em 10 de setembro de 2026.

Como funciona a inovação

O processo utiliza a técnica de cocristalização para inserir extratos fenólicos nos cristais de sacarose. Durante o procedimento, a estrutura cristalina do açúcar é reorganizada, abrindo microespaços que abrigam os compostos antioxidantes. A equipe dissolveu a sacarose junto ao extrato líquido antes da concentração, aumentando em 7,5 vezes a incorporação dos antioxidantes sem comprometer suas propriedades.

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Benefício metabólico comprovado

Em ensaio clínico com 25 voluntários, o produto apresentou classificação de baixo índice glicêmico quando os cocristais de café e amendoim foram combinados. O teste, realizado em seis dias distintos, comparou glicose pura, sacarose tradicional, sacarose cocristalizada sem extratos e as versões enriquecidas. O novo ingrediente retardou a elevação de glicose no sangue sem alterar sabor ou textura.

Próximos passos

A pesquisa agora investiga possíveis impactos sobre a microbiota intestinal em colaboração com a Universidade de Bolonha, na Itália. Paralelamente, serão avaliados o valor calórico e eventuais reduções energéticas decorrentes da absorção parcial do açúcar.

Disponível para licenciamento

Integrante de um portfólio que já reúne mais de 30 ingredientes e 20 processos industriais, a novidade atingiu os níveis 5 e 6 na escala TRL, indicando validação em ambiente relevante e prontidão para escala industrial. Empresas associadas à PBIS terão prioridade no licenciamento; caso desistam, a tecnologia poderá ser negociada com outras indústrias, startups ou spin-offs acadêmicas.

Regulamentação necessária

A comercialização dependerá da aprovação de órgãos reguladores brasileiros. A PBIS fornecerá dados científicos e laudos para embasar futuras alegações funcionais, enquanto as empresas licenciadas deverão conduzir os trâmites legais.

Por ora, o açúcar de cana com baixo índice glicêmico permanece como uma solução em estágio intermediário de desenvolvimento, com potencial para agregar valor a subprodutos agroindustriais e oferecer alternativa mais saudável ao consumidor.

Com informações de Portal do Agronegócio

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